Cinco pontos de um comediante – #3 Ponto de vista

Seguimos à luta, camaradas. Hoje apresentando mais um dos cinco pontos de um comediante. Caso você esteja voltando de um coma e não tenha lido os dois posts anteriores sobre o assunto, clique aqui para ler sobre ritmo e aqui para o post sobre escrita. O assunto de hoje é um dos que eu venho conversando com mais afinco com meus colegas comediantes e creio ser um dos fatores que mais marcam um grande cômico stand-up: o ponto de vista.

Gosto de falar sobre esse tema por um simples motivo: acredito que não exista um grande comediante que não tenha ponto de vista em suas piadas. Pense nos mais variados nomes, das mais diferentes épocas, todos têm ponto de vista muito bem definido em cada piada. Quando Chris Rock fala sobre seu divórcio no especial “Tamborine” (assistam no Netflix), quem assiste sabe exatamente o seu posicionamento sobre o assunto, o lado que ele está abordando e o sentimento dele a respeito do tema. Todo mundo que assistiu sabe, de modo límpido, o que ele pensa a respeito daquele tópico. Não são apenas piadas sobre divórcio ou casamento. São posicionamentos dentro do tema.

Sabemos o que George Carlin pensa sobre aviões, o que Louis CK pensa sobre criar suas filhas, o que Jerry Seinfeld pensa sobre taxistas. Tudo isso ocorre porque todos eles têm um ponto de vista claro no assunto. Eles não buscam a piada que “a plateia vai rir”. Eles tentam fazer com que o que eles pensam se torne engraçado para a plateia. Esse é o verdadeiro desafio.

“Mas eles têm décadas de comédia, eu sou apenas um aprendiz com ranho escorrendo do nariz, eu tenho que fazer piada pela piada”. O cacete que tem. Desde cedo o comediante tem que desenvolver seu ponto de vista. Existem humoristas com excelente técnica de escrita, mas nunca serão grandes comediantes. Um dos motivos é a ausência justamente desse elemento. Piadas sem ponto de vista são ocas, vazias por dentro. A embalagem pode até ser bonita, mas o conteúdo não existe.

Qual o seu take particular do mundo? E isso engloba não apenas assuntos pessoais, mas também os maiores clichês da história da humanidade. Quer fazer piada sobre a Preta Gil? Ótimo. Mas escreva sobre o que você REALMENTE pensa sobre a Preta Gil. Acha ela feia? Bonita? Gorda? Magra? Pense com a sua cabeça, não com a dos outros. Seja original. Quer fazer piadas sobre relacionamentos? Quais seus verdadeiros sentimentos sobre seu namoro, casamento, esposa, marido? Você não aguenta mais? Você adora ser casado? Você queria um marido mais bonito? Seja verdadeiro. Exprima suas ideias. Novamente: pense com a sua cabeça. Não caia na tentação de escrever o que você acha que as pessoas querem ouvir. Escreva o que você quer dizer.

Quando você faz a piada pela piada, uma piada “oca”, você está pensando com a cabeça de todo mundo. Te desafio: abra o word, seu caderno, escreva na parede com seu próprio sangue. Tire uns minutos e escreva alguma piada sobre relacionamento. Ser casado, estar namorando, não importa. Escreva. Agora leia em voz alta essa porcaria aí. Você realmente concorda com o que essa piada diz? Ela exprime sua verdadeira visão sobre esse relacionamento? Ou você está apenas replicando elementos e clichês que você já ouviu outros humoristas falando? Reflita. Faça isso com todas as suas piadas. Reflita. Pense com a sua cabeça. Se você não acha que mulher dirige mal, que a Regina Casé é feia, que comida de avião é ruim, por que você fala isso no palco? Seja verdadeiro, não tenha medo de expressar suas ideias, seu olhar particular do mundo. Porque é justamente isso que marca um comediante: a maneira peculiar com que ele observa as coisas. Um humorista jamais será grande pensando com a cabeça dos outros. Todos os gigantes têm raciocínio próprio. Reflita.

Claro, o ponto de vista não se resume a opinião do humorista sobre um assunto. O ponto de vista do Anthony Jeselnik é que ele é um maldito que ri de qualquer desgraça. O do Steven Wright ou do Mitch Hedberg são a lógica e pensamento absurdos. Nenhum deles chega a expressar opinião, mas ninguém duvida que todos têm pontos de vista claríssimos. Quando você assiste qualquer um deles, você conhece o comediante, você o entende e compreende a maneira como ele pensa.

Fiquem de olho no blog, sigam ele no WordPress, curtam minha página no Facebook, pois é por lá que sempre divulgo quando tem post novo. Em breve nos encontramos para mais uma conversa gostosa. Te espero.

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Onde os fracos não têm vez

E ele voltou. O blog ressuscitou tal qual Jesus Cristo. Aqui, sempre me esforcei em dar boas dicas para quem está querendo começar a fazer stand-up comedy, porque penso que o comediante não é só um palerma que “sobe no palco pra falar umas merdas”. Comédia (stand-up e em geral) necessita estudo aprofundado e muita, mas muita prática. E aqui, procuro deixar minha contribuição pra essa arte que tanto me deu ao longo desses (poucos) 8 anos de carreira.

E esse é o intuito real e verdadeiro d’O Nascimento de uma Piada. Nunca foi de minha vontade (ou intenção) expressar opiniões sobre qualquer coisa aqui. O que geralmente apresento são relatos e experiências vividas, que têm como motivação deixar mais claro o entendimento do texto por você, seu leitorzinho de ensino médio. Entretanto, essa semana aconteceu um fato que creio valer a reflexão de meus pares comediantes e quem mais se interessa pela arte de fazer rir.

Pulou na timeline, tal qual um canguru com Eduardo Paes em sua bolsa, o acontecido com Marcela Tavares. Aparentemente, Marcela é uma vlogger que está tentando a migração para os palcos. Apesar disso, ela foi convidada para abrir (com um número de comédia) o show da banda Skank em Nova York. Mas essa não é a notícia. A notícia, dada por imensos veículos de comunicação, como G1, Veja e Estadão, é que Marcelita foi vaiada por ter feito críticas ao Brasil. O vídeo está aqui. Assista que, depois, vamos à peleja.

Um minuto e meio de um belo reboliço, hein? Em tão pouco tempo, a vlogger disse que o Brasil está uma merda, foi vaiada, contou uma piada ruim, foi vaiada mais um pouco e saiu do palco. Vamos às explanações.

Primeiramente, aqui cabe uma lição muito importante que o stand-up gosta de dar, mas que muitos comediantes (ou “comediantes”, com aspas mesmo) se recusam a aprender: o humorista é responsável por tudo o que diz. Tudo o que você fala em cima de um palco causa algum impacto na plateia. E ela responde instantaneamente. Seja com risadas, gargalhadas, aplausos, gritos, silêncio, chiados ou vaias. Isso, talvez, seja uma coisa que alguém como um vlogger não está acostumado. Você vocifera coisas para sua camerinha, ela não reage. Posta no YouTube, ele não impede. Alguém comenta que não gostou, é um hater filho da puta. O palco é um lugar onde os fracos não têm vez. A plateia te dá a resposta imediata, e isso é sim cruel para quem não está preparado. Eles não são haters, são pessoas comuns que não gostaram do que foi dito. E não gostaram a ponto de vaiar.

Provavelmente (e aqui estou trabalhando com suposições, já que não consigo ler mentes), Tavares leu seu público errado. É uma habilidade muito importante essa: saber ler a plateia. Ela deve ter pensado: “um monte de brasileiro em Nova York, deve ser tudo classe alta que odeia a Dilma, vou falar que o Brasil é uma merda que geral vai à loucura”. O que me faz imaginar isso? O simples comentário que ela fez após a primeira onda de vaias. “Então por que vocês estão aqui”? Porque, para ela, aparentemente só sai do Brasil quem odeia o país, e não quem está buscando uma condição melhor de vida para si e sua família, e sofre todo dia com uma saudade absurda da sua terra, e vê em um show do Skank uma oportunidade, mesmo que breve, de recordar o que é ser brasileiro, falar e ouvir sua língua, de relembrar o gosto de sua cultura, de não se sentir um forasteiro, um intruso. Saiba ler sua plateia.

Logo depois, ela saiu do palco. Eu duvido que seu contrato estipulava um show de minuto e meio. “Mas Pedro, ela estava sendo vaiada, o que mais você queria que ela fizesse”? Aguenta. Não escreveu essas piadas? Não pensou que elas eram boas? Então as banque. O público está vaiando? Espere, tente controlá-los. Você é a porra do comediante. Você é o capitão desse navio. Mostre que você está no comando, que você sabe onde está indo, que sabe o que está fazendo. Você é o domador e a plateia é o leão: ou você os controla ou eles te engolem.

Mas a estória não acaba por aí. Tavares, após o show, fez uma “live” para seus fãs na internet. Segue:

Para mim, esse vídeo retrata de maneira gloriosa como funciona a relação “vlogger – stand-up – plateia – fãs”.

Marcela falou besteira, foi vaiada, saiu do palco e depois foi se explicar… com os fãs na internet. Não seria o caso de se explicar com quem estava no local? Isso exemplifica o seguinte: vloggers que fazem stand-up e já começam em teatros lotados, nunca se apresentam para uma plateia de verdade. Eles só fazem performances para seus fãs, que vão adorar cada frase dita e perdoar cada erro cometido. Se você quer ser um comediante de verdade, por mais famoso que seja, comece por baixo. Quem gosta de você, vai rir de tudo. Você não é bom porque fez sua mãe ou sua namorada rir, e sim porque você fez rir um desconhecido bêbado que não queria assistir comédia.

Um caso ótimo de se citar é o do ator Marcelo Serrado. Global, ele começou a fazer stand-up e, claro, lotou qualquer teatro que quis. Apesar disso, o maldito queria melhorar, e foi fazer show fora da sua zona de conforto, longe dos braços de seu público. Não sei se hoje ele é bom ou não, mas posso garantir que ele melhorou. E por que diabos ele fez isso? Porque ele provavelmente se importa com a qualidade do que está apresentando e respeita o stand-up comedy como arte, e não como um caça-níquel.

“Pedro, você é contra os vloggers que vão pro stand-up”? Não. Tenho um pouco de inveja? Sim. Inveja porque eles rapidamente conquistaram um público que muita gente boa pra caralho e que está na estrada há 10 anos ainda não conseguiu. Mas isso não é culpa deles, óbvio. E também não acho que eles prejudicam o stand-up comedy com seus shows superlotados em teatros. Quem vai assistir o Whindersson, Kefera ou Marcela Tavares, não vai porque eles estarão fazendo stand-up, e sim porque eles são quem são. Se eles fizessem números de mágica, malabares ou cagassem em 13 baldes de alumínio, o tamanho do público seria o mesmo. Eles não pertencem ao circuito do stand-up, não vivem o mercado real da comédia. Eles moram em um mundo paralelo, um universo alternativo. Isso também não quer dizer que nenhum deles tenha talento. Nunca vi vlog ou show do Whindersson, mas já ouvi comentários dizendo que é bom. Nunca vi vlog ou show da Marcela Tavares (só o fatídico vídeo acima), mas já ouvi comentários dizendo que é ruim. E é assim a vida. Uns são bons, outros são ruins, uns fazem sucesso, outros não.

O grande ponto desse post é o seguinte: o que aconteceu com Marcela Tavares, não aconteceu porque a plateia era hater, burra ou nacionalista, e sim porque ela não está preparada pra fazer o que está se propondo a fazer. Se ela (ou qualquer outra pessoa) quer ser comediante, quer tratar o stand-up como um modo de vida, e não uma maneira de encher os bolsos com ouro de tolo, ótimo. Então estude, trabalhe, se foda, se levante, trabalhe, se foda novamente, se levante sempre. Se te vaiarem, não chore, repense conceitos, veja o que você fez de errado. Não culpe os outros pela sua falha. Saia da zona de conforto, seja ela qual for, porque ela não te faz bem.

Piloto-automático

Há pouco mais de um ano, comecei uma tarefa que, logo depois, tornou-se um hábito. Religiosamente, eu… Não, espera, não gosto desse termo. “Religiosamente”. Me dá calafrios. Selecionei a palavra e cliquei com o botão direito. “Sinônimos”. nenhum. Mas acho que não importa a expressão, desde que ela expresse que faz mais de ano que gravo todas as minhas apresentações, em áudio. Depois ouço-as, analiso-as e faço um pequeno resumo geral do que aconteceu aquela noite.

Creio que essa é uma maneira muito interessante do comediante conhecer seu próprio material mais a fundo, para conseguir extrair o máximo dele. Quem vive de comédia sabe que meio segundo de atraso ao dizer o punchline pode acabar com a força da piada, assim como centésimos de adiantamento em uma palavra tem o poder de matar o final cômico de uma história. Respirações, pausas, entonações, modulações de voz, tudo isso é tão importante para uma boa apresentação quando o próprio material. Por isso, incentivo todos que são ou pretendem ser comediantes a tornar essa prática um hábito em suas vidas. Hoje em dia, qualquer celular tem gravador de áudio e todo mundo tem um computador. Se você não tem um computador, mas está lendo isso, provavelmente está em um lan house, então aproveite e crie logo um Google Drive que funciona do mesmo jeito. O gravador é para, quem diria, gravar a apresentação e o computador para armazenar áudios de shows e escrever suas considerações sobre a performance. Nada que o bom e velho e surrado e comido pelas traças papel e caneta não dê conta também.

Conselhos dados, vamos ao epicentro do post. Essa semana, fiz um show onde testei algumas piadas novas. Abri com um material “garantido”, que eu faço a todo momento. Não funcionou muito bem. Confesso que fiquei apreensivo. O que será desse material novo se até as piadas velhas sucumbiram à batalha? Foram alguns minutos de pedaladas (fiscais?). Me senti como o Lula Inflável, desinflado. Bom, após o início turbulento, chegou a hora de estrear as pobres piadinhas. E não é que as filhas-da-puta foram muito bem? Que grande surpresa.

Dia seguinte, ao realizar minha habitual análise do show, acabei notando com mais clareza os fatores apontados no parágrafo acima. Minhas piadas “garantidas” capengaram, enquanto as novas explodiram. Será que consegui criar piadas tão boas a ponto de fazer meu material antigo assemelhar-se a chorume? Duvido muito. Mas então, o que diabos aconteceu? Aconteceu que eu entrei no piloto-automático.

Isso é algo bastante corriqueiro, na verdade. Não apenas comigo ou com você, mas com qualquer comediante. Quando o humorista executa o mesmo material muitas vezes, consecutivamente, é normal que esse texto seja dito de uma maneira cada vez mais inconsciente. Você não está mais contando as piadas, e sim apenas repetindo-as, de novo e de novo. E, ao entrar nesse processo de “piloto-automático”, seu material perde força. Quando se conta a piada dessa maneira, ela perde impacto pois o comediante não está 100% dentro dela. Quem explicou isso de uma maneira muito bacana foi a Carol Zoccoli nesse vídeo.

Pode-se notar a brusca diferença em relação ao material novo. Como eram coisas (quase) inéditas, eu não sabia direito como elas fariam o público reagir. Logo, dediquei muito mais atenção a elas, para que funcionassem da melhor maneira. E, provavelmente, foi por isso que elas funcionaram bem, enquanto as antigas não chegaram nem perto disso.

“Mas, como eu faço para não entrar nesse ‘piloto-automático’”? O primeiro passo é prestar atenção no que se está fazendo. Se você está contando uma piada e, ao mesmo tempo, pensando em tentar sair com a moça bonita da primeira mesa, você já está no piloto-automático. Fique na piada, coloque todas as emoções necessárias para ela funcione em sua plenitude. Não apenas cuspa o seu material. Sinta ele e faça com que as pessoas da plateia também o sintam. Porém, como eu disse, é comum que isso aconteça, independente do humorista. Quando você notar que está fazendo isso, deixe um pouco o material em questão de lado. Fique um ou dois meses sem fazê-lo, dê umas férias para o coitado. Aposto que ele voltará tinindo para as próximas apresentações. E se mesmo após boas férias nas Bahamas, ele retornar ainda cansado e sem realizar seu trabalho direito, creio que seja a hora de aposentar esse material.

Gosto de pensar que alguns de vocês notaram que não postei nada semana passada. Bom, isso ocorreu porque estou incrivelmente ocupado e procurando dar prioridMENTIRA. Não teve post porque eu não consegui achar algum tema relevante para escrever sobre. Até comecei dois textos, mas eles estavam uma bosta, acreditem em mim. Então, o que vocês podem fazer para me ajudar a manter esse blog funcionando semanalmente, é mandar sugestões de temas para posts futuros. Quais suas dúvidas sobre o mundo do stand-up, meu jovem open mic? Escreva nos comentários aqui no blog, facebook ou twitter. Ou mesmo me mande uma inbox, caso tenhas vergonha de sua dúvida estúpida.

No mais, o de sempre: compartilhem, mostrem pros amigos e mandem críticas, sugestões e elogios porque preciso me manter motivado.

Sério.

Queria ser Kuririn

Você, comediante ou aspirante, já teve aquela noite em que deu tudo errado em cima do palco? Nenhuma piada funciona direito, o que começa a deixar a plateia meio dispersa. Você já contou suas melhores piadas e conquistou apenas risos tímidos. Já não sabe mais o que fazer para ganhar a atenção do público. Olha, estou suando frio só de imaginar esse cenário.

Acontece que apresentações tenebrosas, como a descrita acima, são parte da vida de um humorista. Mesmo os melhores, um dia ou outro, enfrentam noites de pesadelos. A grande questão é como cada comediante reage diante de dificuldades como essa.

Alguns ficam seriamente abatidos, mesmo sabendo que vão passar por algumas dessas enrascadas ao longo da carreira, outros não se importam e seguem como se nada tivesse acontecido. Eu, em particular, faço parte do primeiro grupo, pelo menos na noite do ocorrido. Bastante chateado, fico remoendo o sabor de bosta daquele show até chegar em casa e dormir. Mas, no dia seguinte, já sou membro integrante do segundo time. Penso: “Aconteceu, ok, não adianta ficar chorando, vamos melhorar pra próxima”. Sinceramente, essa mistura de sentimentos me parece saudável. Ficar abalado por dias e dias pode minar sua confiança e fazer com que um show ruim se transforme em outros péssimos. É aquela velha história de se enterrar em um buraco cada vez mais fundo. Assim como, se mostrar insensível diante de uma ou mais apresentações malfeitas, pode deixar o humorista “cego”. Ter uma sequência de shows tenebrosos e não ligar o sinal de alerta, achando que uma hora a má fase passa, é preocupante. Se você não fizer nada diferente, nunca nada vai mudar.

No meu ponto de vista, shows ruins são tão importantes quanto os bons, desde que você saiba (e queira) aprender o que eles estão dispostos a ensinar. Apresentações excelentes são ótimas para levantar o moral (sim, é bom para o moral), mas uma ruim ou outra serve para tirar o humorista do mundo do faz de conta e jogá-lo novamente na vida real.

Vou contar-lhes uma bela história que aconteceu com um amigo meu. E, quando eu digo “amigo”, quero dizer que ocorreu comigo mesmo. Há uns quatro ou cinco anos atrás, eu estava em uma maré de shows deslumbrantes. Só apresentações incríveis, apenas performances que arrancavam enormes gargalhadas (pelo menos era assim que eu enxergava a situação na época). Eu estava me sentindo o maioral. Ninguém ganhava de mim. Pode vir qualquer plateia em qualquer lugar que eu destruo. Sou o rei da porra toda. Em uma noite de terça-feira, estava eu a caminho de um show, num bar em que eu nunca havia me apresentado e estava há tempos tentando convencer a produção do local a me levar para fazer lá. Durante o trajeto até o lugar, me peguei justamente com esses pensamentos acima. “Sou muito bom. Não tem ninguém melhor que eu”. O show seria com outros dois comediantes. Um abriria, eu entraria em seguida para, aí sim, o último fechar o show. O primeiro comediante subiu no palco e foi um arregaço gigantesco. O cara arrebentou. Como diria Valeska Popozuda, “só tiro, porrada e bomba”. Imediatamente, pensei: “Hoje vai ser épico. Plateia está uma mãe, é só mandar ver e correr para o abraço”. Quando ele terminou, quase ovacionado, fui chamado ao palco. Primeira piada, a de abertura, que sempre explodia: risada fraca. As seguintes, nem isso. Uma risadinha mais forte uns minutos depois e não me lembro de mais nada. Como se minha memória quisesse me poupar do sofrimento. Só recordo que foi um fiasco. Enorme. Quando anunciei o último humorista da noite, meu derradeiro suspiro de esperança se calou. O sujeito arrebentou também, umas risadas impressionantes, daquelas que se misturam com gritos e pequenas palmas. Eu era uma fraude. Subir no palco ao final do show para dar os últimos recados foi doloroso. Eu não queria mais estar ali. Meu desejo era sumir na fumaça ninja. Me esconder em uma caverna no Nepal e me converter ao budismo. Queria ser Kuririn. Fiquei praguejando contra mim mesmo o resto da noite. Me amaldiçoando. Fora abatido como um cavalo que quebra a perna. Aquela conduta deveria ser sacrificada. Como eu poderia me achar um grande humorista depois de uma noite daquelas? Demorei quase um mês para voltar a fazer um bom show. Levei bomba nas apresentações seguintes. E, relembrando essa noite, confesso, me dói um pouquinho. Não recordo com tristeza. Sinto sim, de leve, a agonia passada naquela terça-feira mas, hoje, relembro daquela ocasião como um dos momentos mais importantes da minha carreira. Naquela noite de setembro, a plateia me deu o que eu precisava, não o que eu queria.

O que eu aprendi depois desse direto-no-queixo do destino? Que, em primeiro lugar, você provavelmente não é tão bom quanto pensa. Em segundo lugar, shows bons e ruins acontecem e é mais importante saber tirar proveito deles do que apenas chorar ou se vangloriar. Terceiro, que as apresentações terríveis são aquelas que mais ensinam a gente, e nos preparam para as dificuldades que virão. E, por fim, que sempre terá o próximo show. Cada apresentação é uma oportunidade para o comediante melhorar ou piorar. Aí, só depende de você.

Você provavelmente não é tão bom quanto pensa

Lembra o que seu pai ou mãe te falavam quando você era adolescente e não se importava com a escola? “Você precisa estudar! Quem não estuda, não tem futuro!”. Sinto informar, mas eles estavam certos.

Para ser um bom profissional, deve-se estudar e se aprofundar em sua área de atuação, seja você um médico, engenheiro, advogado, professor, comediante. Sim, comediante. Para ser um humorista bem sucedido, você também precisa estudar e trabalhar bastante, bebezão.

“Eu comecei a fazer stand-up porque eu não gostava de trabalhar”. Então pare de fazer stand-up, porque isso é trabalhar. Além de ser uma frase imbecil, que reforça a ideia de que comediante não é profissão, ela também dá a impressão para quem está começando na comédia que, para ser um grande humorista, não é necessário esforço.

Mais ou menos um ano depois que eu comecei a fazer stand-up, o comediante Léo Lins lançou um livro chamado “Notas de um comediante stand-up”, no qual ele dá dicas e direcionamentos para quem está iniciando na comédia, e até mesmo para o pessoal que já está no meio há algum tempo. Esse livro foi escrito a partir de anotações que ele fazia após cada show, analisando suas piadas, seu delivery, as reações da plateia, enfim. Lendo esse livro, no final de 2009, foi a primeira vez que percebi que existia um trabalho por trás de cada piada, uma lapidação do material, que cada texto tinha seu trabalho artesanal. Naquela época, a minha rasa noção de trabalhar o material era a seguinte: se escrevia um texto e fazia no palco. Se não funcionava, joga no lixo. Eu nunca me perguntava: “Por que essa piada não funciona? Será que dá certo se contar de outra maneira, usando outras palavras? O setup está claro o suficiente? Existem palavras desnecessárias no punch?”. Nada.

Mas, depois de ler aquilo, pensei: “Se um cara tão bom quanto o Léo se dedica dessa maneira para melhorar cada vez mais, porque eu, que não sou bom, não faço isso?”. Então, comecei também a estudar minhas apresentações, analisá-las, destrinchar piada por piada para saber o que funcionava e porque funcionava, e o que falhava e porque falhava. Fiz isso de dezembro de 2009 a fevereiro de 2011, não com todos os shows que fiz nesse período, pois minha disciplina pra esse tipo de coisa é terrível. Mas o ponto é: parei de fazer isso e os motivos foram muito simples. Primeiro, eu me achava o fodão e, como tal, não precisava mais estudar minhas piadas nem trabalhar minha postura, delivery, tal e tal. Segundo, tinha preguiça demais para trabalhar desse jeito e assumi o “faço stand-up porque não gosto de trabalhar” way of life.

Fiquei até o começo de 2012 nessa maciota, e não foi nada bom para mim. Até fiz bastantes shows, mas o meu material era apenas um amontoado de coisas que eu fazia apenas para ser engraçado. Nenhuma piada refletia uma opinião ou pensamento, tampouco pretendia passar alguma mensagem. Era uma total perda de tempo, tanto minha quanto da plateia.

Conto isso para que nenhum dos comediantes que está começando agora, ou já faz há 6 meses, 1 ou 3 anos caia na mesma armadilha. Você provavelmente não é tão bom quanto pensa e nunca será tão bom a ponto de se dar ao luxo de parar de aprimorar seu material, de buscar novas alternativas para sua comédia, novas influências, de cuidar das suas piadas.

Se você não quer escrever uma análise aprofundada de cada apresentação que faz, o mínimo que você pode fazer é gravar a sua parte no show. Se for em vídeo, ótimo. Assim você pode examinar, além das reações da plateia, também sua postura no palco e a parte física e visual das piadas. Também existe sempre a possibilidade do show ser ótimo e você ter um belo trecho para colocar no YouTube.

Mas, se você não tiver uma câmera ou algo para filmar, sem problemas. Gravar o áudio das suas apresentações já é um bom começo e tenho certeza que vai te ajudar bastante. Esse é o método, inclusive, que eu utilizo. Provavelmente qualquer celular lançado nos últimos 10 anos tem a função “gravador” nele. Coloque na cadeira que pode estar no palco, no bolso da camisa ou da calça, tanto faz. O importante é ter um registro daquele show para ver como você e suas piadas se comportaram.

Importante! Isso deve ser feito em TODO SHOW. Não importa lugar, cachê ou quantidade de público. Certa vez, dei essa dica a um comediante e, no dia do show, tinha pouca gente no bar. Ele me perguntou: “Não preciso gravar hoje né? Tem pouca gente”. Precisa sim, caralho ambulante. Essa gravação não é para ser mostrada a ninguém, é apenas para que você ouça com calma o que foi feito e, assim, descobrir uma maneira de solucionar seus problemas. E, para isso, não há a necessidade de um bar cheio ou um show foda.
Se você deseja se tornar um comediante, não esqueça: ser open mic é como ser um estagiário. Você está aprendendo. A vergonha não é não saber, e sim não querer aprender. E aproveito aqui para citar uma frase que, inclusive, está logo no início de “Notas de um comediante stand-up”, do Léo Lins:

“O inteligente aprende com os próprios erros. O sábio aprende com o erro dos outros”.

Entrevista Humorista #1 – Gabe Cielici

Então, meu povo. Esse é o primeiro post do “Entrevista Humorista”, um nome bastante autoexplicativo. Aqui, entrevisto humoristas (exatamente) para saber suas opiniões e impressões sobre a comédia.

Só para ressaltar: “Entrevista Humorista” é o nome de um projeto que bolei para o rádio, com a mesma ideia. Inclusive foi meu TCC na faculdade de jornalismo. Talvez ele vire áudio também futuramente.

Para o post de estreia, entrevistei um rapaz que está se destacando cada vez mais no cenário paulista do stand-up: Gabe Cielici. Vamos a um breve histórico dele.

Natural de Santos, Gabe Cielici faz stand-up comedy desde 2011. É o criador d’A Espetacular Hora da Comédia, show referência na comédia underground do Brasil, além de fazer parte do elenco do Comedians Club. Gabe ainda tem o show “Músicas Para Ex-Namoradas”, onde ele toca canções sobre seus relacionamentos frustrados.

 

Aproveitem a entrevista!

 

Gabe, talvez você seja o comediante com mais fluxo de pensamento que eu conheço. Tem ideia de quantas piadas você escreve por dia?
Não tenho uma média de piadas, mas eu sei o quanto consigo escrever por dia. Eu sei os meus limites. Tive uma fase de escrever 10 piadas por dia. Sei que se tiver inspirado, e afim de escrever mesmo, posso sentar e escrever 5 ou 10 one-liner (nota: one-liner é um estilo de piada curta e que funciona independente das piadas que vêm antes ou depois) por dia. Isso eu consigo fazer. Mas, hoje em dia, eu tenho escrito algumas piadas que não são tão one-liner. Eu faço uma one-liner e também algumas maiores.

Você acaba testando todas essas piadas que escreve?
Eu testo praticamente tudo, mesmo que não acabe levando a diante. Tem piada que eu só fiz uma vez na vida. Por exemplo, uma sobre odiar alguém, que inclusive está no YouTube (clique aqui para assistir).

Sobre seu estilo de escrita, você nota diferenças entre a época que você começou e agora?
Acho que não mudou nada. O que eu acho que aconteceu foi, quando comecei,  tinha uma ideia do que eu queria fazer, só que todo mundo começou a me “podar”. Isso porque eu comecei com uma galera um pouco mais “coxinha”, e eu tinha esses meus pensamentos loucos, que pra mim são naturais, mas isso era muito “podado” pelos outros. A primeira piada que eu escrevi foi falando que minha ex-namorada terminou comigo, então eu roubei as coisas dela que estavam na minha casa e vendi. E isso aconteceu mesmo, eu realmente fiz isso. E aí todo mundo ficou falando: “Não, você não deve falar sobre isso”.

Você sofreu mais preconceito do próprio meio do stand-up que da plateia? Como era a reação do público com as suas piadas?
A plateia gostava, mas eu acho que a opinião da plateia não importa. Porque você pode ir a lugares onde as pessoas vão rir de piadas chulas e bestas. Então, será que a opinião daquela plateia importa? E não necessariamente essas pessoas são ignorantes ou à margem da sociedade. Muitas vezes não executivos, e mesmo assim estão lá, rindo de piada de corinthiano, e é isso que eles querem ouvir. Pra mim, importa a opinião do círculo de pessoas que você se cerca, e que as vezes podem fazer parte da plateia, como muitas vezes acontece lá no porão (nota: o porão, aqui mencionado, é o Frey Café, local das apresentações regulares do grupo de Gabe, “A Espetacular Hora da Comédia”). Mas a plateia em geral, é só um mar de gente, todos com opiniões diferentes e ninguém sabe a opinião de ninguém. Nunca dá pra você confiar numa multidão que não se conhece e que você não conhece também. Seria muito burro pra qualquer pessoa fazer isso.

Você citou o porão. Quando você vai fazer um show no interior, ou em outra cidade menor, há a adaptação de material em relação ao que você faz no porão?
Geralmente, os shows que eu faço fora do circuito de São Paulo, são um estupro pessoal (risos). Porque o certo é eu mudar um pouco o material.  As vezes eu faço isso, as vezes não, e em 98% das vezes o resultado é a mesma merda.

Você imagina qual o motivo disso?
Existem lugares que as pessoas não estão prontas pra me ver pela primeira vez. Elas estão prontas pra me ver na televisão, na internet, e aí sim no palco. O pessoal dessa cidade pode ser meio distante da comédia, se bem que eu não acredito muito nisso. Porque, independente de não conhecer stand-up, rir é um impulso natural.

A risada independe do conhecimento da pessoa sobre a arte.
Sim. Mesmo em um lugar onde não se conhece stand-up, eu sou contra a apresentar o stand-up, no sentido de dizer: “o stand-up funciona assim. Se gostou, dá risada, se gostou muito, aplaude. Vou sair e entrar de novo”. Sou contra isso. Porque rir é um impulso natural, e o aplauso também, quando o corpo da pessoa se contrai e ela acaba batendo as mãos, como se fosse um momento de “eureca”, o que mostra que ela concordou com você. Mas, completando a resposta, eu não gosto muito dessa história de “fazer a plateia me comprar”.  A minha busca é por um estilo onde a identificação é espontânea. Eu não treino no espelho, eu não faço porra nenhuma, só tento ser cada vez mais natural. Eu estou indo contra tudo o que me ensinaram aqui.

E por quê?
Sempre me ensinaram que você tem que fazer a plateia te comprar, tem que adaptar texto pra alguns lugares, e eu não tô fazendo nada disso. Eu não estou correndo atrás de agradar. Eu faço o que é bom pra mim. Tem até uma música do Jay-Z que fala sobre isso, que diz: “Nobody built like you, you designed yourself”.

Eu gosto bastante dessa atitude de fazer o que você acha legal, independente do lugar. Eu, quando fazia um humor negro mais radical, sofri bastante retaliação do meio, com gente dizendo: “Não vai fazer piada pesada, não faz tal piada”.
Isso é ridículo.

Aconteceu alguma vez contigo?
Sim, acontece muito! Geralmente a pessoa que faz esse tipo de comentário é muito ignorante. Acho que pra você julgar alguém a ponto de falar: “não faz isso”, tem que entender muito do que você está falando.

Eu tenho uma visão de que o comediante brasileiro protege muito a sua plateia, na questão de não fazer uma piada porque alguém pode se ofender, mesmo achando ela engraçada. E, por conta disso, acaba privando a plateia de algumas coisas que ela poderia gostar.
O que aconteceu com ter novas descobertas? Deixa a plateia ter novas descobertas, sobre o que eles querem ou não rir.

Exatamente. O comediante, ao invés de deixar a plateia decidir o que é bom ou ruim pra ela, ele mesmo faz esse crivo e escolhe com o que a plateia se ofende ou não, pode ou não ouvir.
Cara, dá pra contar nas mãos do Rominho (Braga) (nota: Rominho Braga é um comediante paraense que só tem quatro dedos em uma das mãos :D) quantos comediantes têm a ousadia de tentar fazer alguma coisa diferente.

E por que você acha que isso acontece? Eu vejo muitos comediantes bons, com ótimas referências, mas que preferem ficar apenas nas piadas fáceis.
Acho que o treino não adianta nada se você não tiver talento. O treino ajuda o talento a se desenvolver, mas treino sem talento não adianta nada. Tem muito diamante bruto ainda no Brasil, gente que ainda não se descobriu. Acho que daqui a pouco vai aparecer um moleque muito melhor que eu, outro muito melhor que você. Tem gente com muita referência e querendo fazer, mas no final das contas, acho que o que salva no final é o talento. Eu já toquei em banda, e já vi nego ser muito virtuoso, e tocar dez mil vezes melhor que eu, mas ele mal conseguir desenvolver uma música que tivesse identidade. Uma coisa é você ser um veículo, outra coisa é você ser um piloto.

Explique essa analogia.
Tem gente que é veículo, pessoas que são apenas dirigidas, e apenas vão na fila, com todos os outros veículos. E tem gente que é o piloto, que comanda, que sabe pra onde ir. E eu vou te dar um exemplo muito bom para o desfecho dessa analogia. Quando eu comecei a fazer one-liner, tentando esse estilo aqui no Brasil… Eu digo aqui no Brasil porque eu conheci o stand-up nos anos que eu morei nos EUA. Então, quando comecei a fazer one-liner, tentando esse estilo, porque eu estava um pouco perdido ainda, um comediante me falou: ‘Você tem que fazer curvas na comédia. Não pode fazer uma piada e terminar aí. Tem que desenvolver o tema, fazer uma continuação. Você tem que ir cortando caminho”. E eu não quero cortar caminho. Na vida não tem atalho. Eu quero ir reto, meu estilo é assim, é assim que eu faço. Não vou fazer curva, não vou enrolar nas minhas piadas. É isso. O golfinho é um tubarão com down, acabou.

Você está fazendo algo que eu, particularmente, acho fantástico agora, que é contar piadas na rua. Como surgiu essa ideia?
Como eu moro sozinho, e pra não ficar o dia inteiro em casa, eu comecei a ir a cafés pra escrever. Mas eu gastava muito dinheiro lá. Teve dias que eu tomei cinco espressos antes do meio-dia. Então eu comecei a ir pra rua com minha mesinha, pra escrever piadas lá. Aí, as pessoas que passavam me perguntavam o que eu estava fazendo, eu dizia que estava escrevendo piadas, e elas sempre pediam pra eu contar uma piada. Nisso eu comecei a ir pra rua com a mesinha e com uns cartazes escrito: “Conto piada”.

E qual a reação do público quando você conta a piada em um contexto tão diferente. Porque no bar a pessoa está lá para ver o show, mas na rua, ela está passando, indo fazer outra coisa.
As pessoas riem, mas a maior reação é a de surpresa, porque elas não esperam ouvir uma piada ali, naquele momento. Eu vejo também que muitas tem um pouco de receio por achar que vão ter que pagar pra ouvir a piada. Mas agora eu ando com uma plaquinha escrito “de graça”, então acontece muito, até casal, de estarem andando na rua e a mulher fala: “Olha, ele conta piada, vamos lá”, e o cara fica: “Ah, não sei”. Mas quando ele vê que é de graça, aí ele aceita também.

 

 

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