Cinco pontos de um comediante – #3 Ponto de vista

Seguimos à luta, camaradas. Hoje apresentando mais um dos cinco pontos de um comediante. Caso você esteja voltando de um coma e não tenha lido os dois posts anteriores sobre o assunto, clique aqui para ler sobre ritmo e aqui para o post sobre escrita. O assunto de hoje é um dos que eu venho conversando com mais afinco com meus colegas comediantes e creio ser um dos fatores que mais marcam um grande cômico stand-up: o ponto de vista.

Gosto de falar sobre esse tema por um simples motivo: acredito que não exista um grande comediante que não tenha ponto de vista em suas piadas. Pense nos mais variados nomes, das mais diferentes épocas, todos têm ponto de vista muito bem definido em cada piada. Quando Chris Rock fala sobre seu divórcio no especial “Tamborine” (assistam no Netflix), quem assiste sabe exatamente o seu posicionamento sobre o assunto, o lado que ele está abordando e o sentimento dele a respeito do tema. Todo mundo que assistiu sabe, de modo límpido, o que ele pensa a respeito daquele tópico. Não são apenas piadas sobre divórcio ou casamento. São posicionamentos dentro do tema.

Sabemos o que George Carlin pensa sobre aviões, o que Louis CK pensa sobre criar suas filhas, o que Jerry Seinfeld pensa sobre taxistas. Tudo isso ocorre porque todos eles têm um ponto de vista claro no assunto. Eles não buscam a piada que “a plateia vai rir”. Eles tentam fazer com que o que eles pensam se torne engraçado para a plateia. Esse é o verdadeiro desafio.

“Mas eles têm décadas de comédia, eu sou apenas um aprendiz com ranho escorrendo do nariz, eu tenho que fazer piada pela piada”. O cacete que tem. Desde cedo o comediante tem que desenvolver seu ponto de vista. Existem humoristas com excelente técnica de escrita, mas nunca serão grandes comediantes. Um dos motivos é a ausência justamente desse elemento. Piadas sem ponto de vista são ocas, vazias por dentro. A embalagem pode até ser bonita, mas o conteúdo não existe.

Qual o seu take particular do mundo? E isso engloba não apenas assuntos pessoais, mas também os maiores clichês da história da humanidade. Quer fazer piada sobre a Preta Gil? Ótimo. Mas escreva sobre o que você REALMENTE pensa sobre a Preta Gil. Acha ela feia? Bonita? Gorda? Magra? Pense com a sua cabeça, não com a dos outros. Seja original. Quer fazer piadas sobre relacionamentos? Quais seus verdadeiros sentimentos sobre seu namoro, casamento, esposa, marido? Você não aguenta mais? Você adora ser casado? Você queria um marido mais bonito? Seja verdadeiro. Exprima suas ideias. Novamente: pense com a sua cabeça. Não caia na tentação de escrever o que você acha que as pessoas querem ouvir. Escreva o que você quer dizer.

Quando você faz a piada pela piada, uma piada “oca”, você está pensando com a cabeça de todo mundo. Te desafio: abra o word, seu caderno, escreva na parede com seu próprio sangue. Tire uns minutos e escreva alguma piada sobre relacionamento. Ser casado, estar namorando, não importa. Escreva. Agora leia em voz alta essa porcaria aí. Você realmente concorda com o que essa piada diz? Ela exprime sua verdadeira visão sobre esse relacionamento? Ou você está apenas replicando elementos e clichês que você já ouviu outros humoristas falando? Reflita. Faça isso com todas as suas piadas. Reflita. Pense com a sua cabeça. Se você não acha que mulher dirige mal, que a Regina Casé é feia, que comida de avião é ruim, por que você fala isso no palco? Seja verdadeiro, não tenha medo de expressar suas ideias, seu olhar particular do mundo. Porque é justamente isso que marca um comediante: a maneira peculiar com que ele observa as coisas. Um humorista jamais será grande pensando com a cabeça dos outros. Todos os gigantes têm raciocínio próprio. Reflita.

Claro, o ponto de vista não se resume a opinião do humorista sobre um assunto. O ponto de vista do Anthony Jeselnik é que ele é um maldito que ri de qualquer desgraça. O do Steven Wright ou do Mitch Hedberg são a lógica e pensamento absurdos. Nenhum deles chega a expressar opinião, mas ninguém duvida que todos têm pontos de vista claríssimos. Quando você assiste qualquer um deles, você conhece o comediante, você o entende e compreende a maneira como ele pensa.

Fiquem de olho no blog, sigam ele no WordPress, curtam minha página no Facebook, pois é por lá que sempre divulgo quando tem post novo. Em breve nos encontramos para mais uma conversa gostosa. Te espero.

Anúncios

Cinco pontos de um comediante – #1 Ritmo

O inverno foi duro. Mais longo que o esperado. E frio, gélido, de partir os ossos. Afortunadamente, o outono fora proveitoso e pude armazenar alimento e gordura suficientes para hibernar. Agora regresso, sonolento e com as juntas estralando, com vontade de cheirar as flores e ser picado por abelhas, ambos frutos da primavera que está logo ali na esquina.

O blog está de volta, não se sabe se para a vida toda ou para uma edição extraordinária, mas o importante é estarmos juntos mais uma vez. A razão do regresso é a mesma da partida: aleatória. Ontem, duas pessoas me lembraram sobre o blog, perguntaram se ele estava morto e por que não foram convidadas para o velório. Respondi que seria de caixão fechado e não lhes devia mais explicações. Aprecie o momento e leia o que eu tenho para lhe contar.

Certa feita, elaborei um (bastante raso, admito) workshop de comédia stand-up, no qual desenvolvi a seguinte teoria: um comediante tem 5 pontos fundamentais em seu processo criativo e performance: escrita, ponto de vista, entrega, timing e ritmo. Hoje, abordaremos o ritmo.

Ao contrário do que possa parecer, o ritmo de uma apresentação de stand-up comedy nada tem a ver com falar rápido ou alto, e sim com fluidez e, principalmente, risadas por minuto. Um comediante que fala monótona e pausadamente, que tem um punch a cada 10 ou 15 segundos (como a lenda Steven Wright) tem um ritmo de apresentação muito maior que um cara que sobe no palco pra vencer o campeonato brasileiro de repentistas, sem uma regularidade de piadas que efetivamente funcionam.

Faça um teste. Assista a um vídeo de seu comediante favorito. Não importa quem seja ou qual seu estilo. One-liner, storytelling, pessoal, observacional, todos eles têm uma coisa em comum: o consistente número de risadas por minuto. Cronometre o tempo que ele leva entre uma piada e outra, entre uma risada e outra. Não sei qual comediante você escolheu, mas ouso dizer que esse número nunca será maior que 20 segundos. Por vezes será, inclusive, muito menor. Mas você deve estar encucado: “Existe alguma maneira de melhorar o ritmo da minha apresentação”? Não.

Mentira, existe sim:

Enxugar setups
Aquela velha e cansada técnica que todo mundo sabe, mas poucos põem em prática. Escreva seu texto, veja quantas palavras/frases/linhas existem para chegar ao punchline. Diminua essa distância. Corte palavras, encurte sentenças, deixe a frase mais concisa e clara que puder. Já vi esse dizer atribuído a Hemingway e Carlos Drummond de Andrade, não sei quem o disse, só sei que cabe como uma luva na comédia stand-up: “Escrever é a arte de cortar palavras”.

Tags
Tag é uma coisinha que deve vir depois do punch naquela formulinha mágica de “setup+punch”. Vou exemplificar com uma piada minha:
SETUP: Meu pai me batia quando eu era criança e sei que ele não me batia por mal, ele só fazia isso com medo que eu virasse gay. Graças a isso hoje eu não sou gay, *PUNCHLINE* eu sou masoquista.

A piada poderia acabar por aí. Setup curto, distorção cômica no punch, a piada funciona. Mas que tal colocar uma tag?
TAG: Quando eu transo com uma mulher, eu peço pra ela me chamar de filho e espancar o meu bumbum.

Agora eu tenho duas risadas utilizando apenas um setup. Double de risadas, ótimo, trabalho concluído. Negativo.
TAG: Ela até bate, mas sem a autoridade que eu quero.

Com um único setup, três focos de risada, ótima maneira de acrescentar ritmo ao material.

Colocar mais piadas no texto
Óbvio parece, mas nem todo mundo se toca disso. Se você curte o storytelling, que tão na moda está, não se contente em ter apenas risada ao final de sua historeta. Ninguém merece ou aguenta ficar ouvindo uma pessoa contar uma história de três minutos que supostamente é cômica, mas só se ri no final dela. Mesmo os comediantes que contam histórias longas têm punchlines a cada uma dúzia de segundos.

Essas são apenas algumas maneiras de se conseguir imprimir um melhor ritmo à apresentação. Outro ponto que ajuda é a fluidez do material. Não é gostoso dirigir um carro e nem sentir a mudança de marcha? Na comédia, é a mesma coisa. Cada piada é uma marcha. Se você ficar travando a cada mudança de piada ou mudar da primeira para a quarta marcha, tudo isso fere o seu ritmo. Para tal, é importante ensaiar bastante o texto, saber organizar as piadas dentro de um set de modo que elas se liguem e tenham uma força crescente.

Espero que esse pequeno texto tenha ajudado a quem quer que seja. Vou tentar atualizar com mais frequência o blog, mas para isso preciso da ajuda de você, amigo internauta. Tem alguma dúvida sobre comédia, algum tópico que acha que merece atenção, alguma dificuldade na vida de open mic que queira esclarecer, comente no post contando seu drama que tentarei ajudar-lhe se estiver dentro do meu alcance.

Onde os fracos não têm vez

E ele voltou. O blog ressuscitou tal qual Jesus Cristo. Aqui, sempre me esforcei em dar boas dicas para quem está querendo começar a fazer stand-up comedy, porque penso que o comediante não é só um palerma que “sobe no palco pra falar umas merdas”. Comédia (stand-up e em geral) necessita estudo aprofundado e muita, mas muita prática. E aqui, procuro deixar minha contribuição pra essa arte que tanto me deu ao longo desses (poucos) 8 anos de carreira.

E esse é o intuito real e verdadeiro d’O Nascimento de uma Piada. Nunca foi de minha vontade (ou intenção) expressar opiniões sobre qualquer coisa aqui. O que geralmente apresento são relatos e experiências vividas, que têm como motivação deixar mais claro o entendimento do texto por você, seu leitorzinho de ensino médio. Entretanto, essa semana aconteceu um fato que creio valer a reflexão de meus pares comediantes e quem mais se interessa pela arte de fazer rir.

Pulou na timeline, tal qual um canguru com Eduardo Paes em sua bolsa, o acontecido com Marcela Tavares. Aparentemente, Marcela é uma vlogger que está tentando a migração para os palcos. Apesar disso, ela foi convidada para abrir (com um número de comédia) o show da banda Skank em Nova York. Mas essa não é a notícia. A notícia, dada por imensos veículos de comunicação, como G1, Veja e Estadão, é que Marcelita foi vaiada por ter feito críticas ao Brasil. O vídeo está aqui. Assista que, depois, vamos à peleja.

Um minuto e meio de um belo reboliço, hein? Em tão pouco tempo, a vlogger disse que o Brasil está uma merda, foi vaiada, contou uma piada ruim, foi vaiada mais um pouco e saiu do palco. Vamos às explanações.

Primeiramente, aqui cabe uma lição muito importante que o stand-up gosta de dar, mas que muitos comediantes (ou “comediantes”, com aspas mesmo) se recusam a aprender: o humorista é responsável por tudo o que diz. Tudo o que você fala em cima de um palco causa algum impacto na plateia. E ela responde instantaneamente. Seja com risadas, gargalhadas, aplausos, gritos, silêncio, chiados ou vaias. Isso, talvez, seja uma coisa que alguém como um vlogger não está acostumado. Você vocifera coisas para sua camerinha, ela não reage. Posta no YouTube, ele não impede. Alguém comenta que não gostou, é um hater filho da puta. O palco é um lugar onde os fracos não têm vez. A plateia te dá a resposta imediata, e isso é sim cruel para quem não está preparado. Eles não são haters, são pessoas comuns que não gostaram do que foi dito. E não gostaram a ponto de vaiar.

Provavelmente (e aqui estou trabalhando com suposições, já que não consigo ler mentes), Tavares leu seu público errado. É uma habilidade muito importante essa: saber ler a plateia. Ela deve ter pensado: “um monte de brasileiro em Nova York, deve ser tudo classe alta que odeia a Dilma, vou falar que o Brasil é uma merda que geral vai à loucura”. O que me faz imaginar isso? O simples comentário que ela fez após a primeira onda de vaias. “Então por que vocês estão aqui”? Porque, para ela, aparentemente só sai do Brasil quem odeia o país, e não quem está buscando uma condição melhor de vida para si e sua família, e sofre todo dia com uma saudade absurda da sua terra, e vê em um show do Skank uma oportunidade, mesmo que breve, de recordar o que é ser brasileiro, falar e ouvir sua língua, de relembrar o gosto de sua cultura, de não se sentir um forasteiro, um intruso. Saiba ler sua plateia.

Logo depois, ela saiu do palco. Eu duvido que seu contrato estipulava um show de minuto e meio. “Mas Pedro, ela estava sendo vaiada, o que mais você queria que ela fizesse”? Aguenta. Não escreveu essas piadas? Não pensou que elas eram boas? Então as banque. O público está vaiando? Espere, tente controlá-los. Você é a porra do comediante. Você é o capitão desse navio. Mostre que você está no comando, que você sabe onde está indo, que sabe o que está fazendo. Você é o domador e a plateia é o leão: ou você os controla ou eles te engolem.

Mas a estória não acaba por aí. Tavares, após o show, fez uma “live” para seus fãs na internet. Segue:

Para mim, esse vídeo retrata de maneira gloriosa como funciona a relação “vlogger – stand-up – plateia – fãs”.

Marcela falou besteira, foi vaiada, saiu do palco e depois foi se explicar… com os fãs na internet. Não seria o caso de se explicar com quem estava no local? Isso exemplifica o seguinte: vloggers que fazem stand-up e já começam em teatros lotados, nunca se apresentam para uma plateia de verdade. Eles só fazem performances para seus fãs, que vão adorar cada frase dita e perdoar cada erro cometido. Se você quer ser um comediante de verdade, por mais famoso que seja, comece por baixo. Quem gosta de você, vai rir de tudo. Você não é bom porque fez sua mãe ou sua namorada rir, e sim porque você fez rir um desconhecido bêbado que não queria assistir comédia.

Um caso ótimo de se citar é o do ator Marcelo Serrado. Global, ele começou a fazer stand-up e, claro, lotou qualquer teatro que quis. Apesar disso, o maldito queria melhorar, e foi fazer show fora da sua zona de conforto, longe dos braços de seu público. Não sei se hoje ele é bom ou não, mas posso garantir que ele melhorou. E por que diabos ele fez isso? Porque ele provavelmente se importa com a qualidade do que está apresentando e respeita o stand-up comedy como arte, e não como um caça-níquel.

“Pedro, você é contra os vloggers que vão pro stand-up”? Não. Tenho um pouco de inveja? Sim. Inveja porque eles rapidamente conquistaram um público que muita gente boa pra caralho e que está na estrada há 10 anos ainda não conseguiu. Mas isso não é culpa deles, óbvio. E também não acho que eles prejudicam o stand-up comedy com seus shows superlotados em teatros. Quem vai assistir o Whindersson, Kefera ou Marcela Tavares, não vai porque eles estarão fazendo stand-up, e sim porque eles são quem são. Se eles fizessem números de mágica, malabares ou cagassem em 13 baldes de alumínio, o tamanho do público seria o mesmo. Eles não pertencem ao circuito do stand-up, não vivem o mercado real da comédia. Eles moram em um mundo paralelo, um universo alternativo. Isso também não quer dizer que nenhum deles tenha talento. Nunca vi vlog ou show do Whindersson, mas já ouvi comentários dizendo que é bom. Nunca vi vlog ou show da Marcela Tavares (só o fatídico vídeo acima), mas já ouvi comentários dizendo que é ruim. E é assim a vida. Uns são bons, outros são ruins, uns fazem sucesso, outros não.

O grande ponto desse post é o seguinte: o que aconteceu com Marcela Tavares, não aconteceu porque a plateia era hater, burra ou nacionalista, e sim porque ela não está preparada pra fazer o que está se propondo a fazer. Se ela (ou qualquer outra pessoa) quer ser comediante, quer tratar o stand-up como um modo de vida, e não uma maneira de encher os bolsos com ouro de tolo, ótimo. Então estude, trabalhe, se foda, se levante, trabalhe, se foda novamente, se levante sempre. Se te vaiarem, não chore, repense conceitos, veja o que você fez de errado. Não culpe os outros pela sua falha. Saia da zona de conforto, seja ela qual for, porque ela não te faz bem.

Tente SER um comediante

Uma reclamação comum à beça entre comediantes é que o mercado do stand-up comedy está ficando saturado. Todo dia surgem mais e mais humoristas e os shows estão ficando diminutos. Verdade. Apesar de não concordar que exista um inchaço no mercado (vamos lá, não existem sequer 10 comedy clubs no país todo e nem metade das capitais contam com grupos de stand-up), acredito sim que há uma falta de mão-de-obra qualificada. Abundam “humoristas”, com aspas, escasseiam HUMORISTAS, em letras garrafais.

A internet é uma das mães da comédia stand-up no Brasil. É por ela que vários comediantes divulgaram e ainda divulgam seus trabalhos. É um meio simples, rápido, eficaz e, a princípio, gratuito. Mas nem tudo são flores e unicórnios no belo mundo da internet. Graças à essa facilidade em autopromoção, todos os dias somos afogados por convites para curtir páginas de comediantes que desconhecemos. E desconhecemos ou porque nunca tivemos contato, ou porque não são comediantes mesmo.

Percorrendo não apenas as redes sociais, mas também o mundo real, percebo a crescente sede de humoristas iniciantes por curtidas, seguidores, visualizações e compartilhamentos. Todo open mic tem uma página, uma agenda da semana, uma logomarca, um vídeo que ele espera que bombe e o leve ao estrelato. E, não me entendam mal, cada um tem o direito de divulgar seu trabalho e buscar algum tipo de sucesso. Por mim você pode colocar um outdoor no meio da cidade com a sua foto enrolado no fio de um microfone seguida dos dizeres: “Sou o mais pica, me contrata”. Porém, noto que existem muitos que se preocupam mais em atingir 10 mil curtidas em sua página no Facebook do que em construir 10 bons minutos de material no palco. Se empenham mais em parecer um comediante do que em ser um.

O que faz alguém ser comediante não é o número de visualizações que ele tem no Youtube, nem a quantidade de seguidores no Twitter, tampouco o número de curtidas no Instagram. É o palco. O bom, velho, e maldito palco. O público do bar não se importa em quem tem mais seguidores no Snapchat, e sim em quem é mais engraçado, quem tem o melhor material. Criar uma página no face é fácil. Difícil é criar uma piada foda e original.

Acho ótimo que muitos open mics tenham a consciência de que é necessário ter um canal para divulgar seu trabalho para o público. Muitos humoristas com anos de carreira não têm site ou sequer uma página decente (me incluo nesse grupo de preguiçosos). Mas preocupe-se, primeiramente, em ter um bom trabalho para divulgar. Se empenhe mais em fazer shows do que em divulgá-los. Preocupe-se mais em conseguir escrever 10 minutos ótimos do que fazer com que seu vídeo tenha 100 mil visualizações. É como a Chiquinha, que compra um líquido para polir objetos de prata sem ter nenhum objeto de prata em casa.

Não quero dizer que open mics não devem ter suas páginas, projetos de Youtube, agendas da semana ou vídeos compartilhados. Façam à vontade. Só aconselho que estabeleçam prioridades e sempre, sempre e sempre coloquem como prioridade número 1 melhorar como humorista, escrever piadas mais engraçadas, um set melhor construído, fazer um show cada vez melhor. Quem sabe, se você fizer um show muito bom, alguém que te assistiu queira curtir a sua página.

Porque não adianta tentar parecer um comediante. Tente SER um comediante.

Piloto-automático

Há pouco mais de um ano, comecei uma tarefa que, logo depois, tornou-se um hábito. Religiosamente, eu… Não, espera, não gosto desse termo. “Religiosamente”. Me dá calafrios. Selecionei a palavra e cliquei com o botão direito. “Sinônimos”. nenhum. Mas acho que não importa a expressão, desde que ela expresse que faz mais de ano que gravo todas as minhas apresentações, em áudio. Depois ouço-as, analiso-as e faço um pequeno resumo geral do que aconteceu aquela noite.

Creio que essa é uma maneira muito interessante do comediante conhecer seu próprio material mais a fundo, para conseguir extrair o máximo dele. Quem vive de comédia sabe que meio segundo de atraso ao dizer o punchline pode acabar com a força da piada, assim como centésimos de adiantamento em uma palavra tem o poder de matar o final cômico de uma história. Respirações, pausas, entonações, modulações de voz, tudo isso é tão importante para uma boa apresentação quando o próprio material. Por isso, incentivo todos que são ou pretendem ser comediantes a tornar essa prática um hábito em suas vidas. Hoje em dia, qualquer celular tem gravador de áudio e todo mundo tem um computador. Se você não tem um computador, mas está lendo isso, provavelmente está em um lan house, então aproveite e crie logo um Google Drive que funciona do mesmo jeito. O gravador é para, quem diria, gravar a apresentação e o computador para armazenar áudios de shows e escrever suas considerações sobre a performance. Nada que o bom e velho e surrado e comido pelas traças papel e caneta não dê conta também.

Conselhos dados, vamos ao epicentro do post. Essa semana, fiz um show onde testei algumas piadas novas. Abri com um material “garantido”, que eu faço a todo momento. Não funcionou muito bem. Confesso que fiquei apreensivo. O que será desse material novo se até as piadas velhas sucumbiram à batalha? Foram alguns minutos de pedaladas (fiscais?). Me senti como o Lula Inflável, desinflado. Bom, após o início turbulento, chegou a hora de estrear as pobres piadinhas. E não é que as filhas-da-puta foram muito bem? Que grande surpresa.

Dia seguinte, ao realizar minha habitual análise do show, acabei notando com mais clareza os fatores apontados no parágrafo acima. Minhas piadas “garantidas” capengaram, enquanto as novas explodiram. Será que consegui criar piadas tão boas a ponto de fazer meu material antigo assemelhar-se a chorume? Duvido muito. Mas então, o que diabos aconteceu? Aconteceu que eu entrei no piloto-automático.

Isso é algo bastante corriqueiro, na verdade. Não apenas comigo ou com você, mas com qualquer comediante. Quando o humorista executa o mesmo material muitas vezes, consecutivamente, é normal que esse texto seja dito de uma maneira cada vez mais inconsciente. Você não está mais contando as piadas, e sim apenas repetindo-as, de novo e de novo. E, ao entrar nesse processo de “piloto-automático”, seu material perde força. Quando se conta a piada dessa maneira, ela perde impacto pois o comediante não está 100% dentro dela. Quem explicou isso de uma maneira muito bacana foi a Carol Zoccoli nesse vídeo.

Pode-se notar a brusca diferença em relação ao material novo. Como eram coisas (quase) inéditas, eu não sabia direito como elas fariam o público reagir. Logo, dediquei muito mais atenção a elas, para que funcionassem da melhor maneira. E, provavelmente, foi por isso que elas funcionaram bem, enquanto as antigas não chegaram nem perto disso.

“Mas, como eu faço para não entrar nesse ‘piloto-automático’”? O primeiro passo é prestar atenção no que se está fazendo. Se você está contando uma piada e, ao mesmo tempo, pensando em tentar sair com a moça bonita da primeira mesa, você já está no piloto-automático. Fique na piada, coloque todas as emoções necessárias para ela funcione em sua plenitude. Não apenas cuspa o seu material. Sinta ele e faça com que as pessoas da plateia também o sintam. Porém, como eu disse, é comum que isso aconteça, independente do humorista. Quando você notar que está fazendo isso, deixe um pouco o material em questão de lado. Fique um ou dois meses sem fazê-lo, dê umas férias para o coitado. Aposto que ele voltará tinindo para as próximas apresentações. E se mesmo após boas férias nas Bahamas, ele retornar ainda cansado e sem realizar seu trabalho direito, creio que seja a hora de aposentar esse material.

Gosto de pensar que alguns de vocês notaram que não postei nada semana passada. Bom, isso ocorreu porque estou incrivelmente ocupado e procurando dar prioridMENTIRA. Não teve post porque eu não consegui achar algum tema relevante para escrever sobre. Até comecei dois textos, mas eles estavam uma bosta, acreditem em mim. Então, o que vocês podem fazer para me ajudar a manter esse blog funcionando semanalmente, é mandar sugestões de temas para posts futuros. Quais suas dúvidas sobre o mundo do stand-up, meu jovem open mic? Escreva nos comentários aqui no blog, facebook ou twitter. Ou mesmo me mande uma inbox, caso tenhas vergonha de sua dúvida estúpida.

No mais, o de sempre: compartilhem, mostrem pros amigos e mandem críticas, sugestões e elogios porque preciso me manter motivado.

Sério.

Como testar material

Todo comediante é um pouco masoquista. Bem, talvez masoquista não seja o termo que procuro. Um humorista não necessariamente deve gostar do sofrimento, mas aprender a lidar com ele a cada minuto em que está no palco. Já ouviu falar que todo atleta de alto rendimento tem de conviver com dores? Então é isso. Um comediante é um atleta de alto rendimento. Eu sou um atleta de alto rendimento. Nos vemos nas Olimpíadas.

Não pensem vocês que esse papo de lidar com sofrimento ou dor tem a ver com depressão, melancolia, ou tristeza (tem também). A angústia a qual me refiro é no trato comediante-plateia. Jerry Seinfeld disse uma vez (provavelmente mais de uma. Meu palpite é 34 vezes) que ninguém é mais julgado, na sociedade civilizada, que um comediante stand-up. E isso é a mais pura verdade. A cada piada que um humorista conta, um julgamento ocorre. Se a plateia ri, o coitado é absolvido. Se o silêncio imperar, ele é condenado. E tal corte marcial do chiste tem seus lados bom e ruim.

A parte ruim é, lógico, a pressão de ser avaliado a cada piada contada. Ter a obrigação de fazer um monte de estranhos rirem após uma historinha que dura 15 ou 20 segundos é, analisando friamente, insano. Isso sem contar o fato de que essa experiência deve ser repetida dezenas e dezenas de vezes em uma apresentação de 10 minutos.

O lado bom, é que cada piada significa uma chance de recomeçar. Você foi condenado após uma piada ruim? Terá a oportunidade de ser absolvido na próxima. Toda piada é um julgamento em separado. Mas isso também, olha só, tem um lado ruim. A parte chata é que, se você contar uma piada muito boa, digna de aplausos e gritinhos, a próxima tem que ser boa também. Essa piada magnífica não serve de nada se as duas seguintes não funcionarem. Você foi absolvido após uma piada boa? Existe a chance de ser condenado na próxima. Toda piada é um julgamento em separado.

E, se todo esse processo parece assustador, mesmo utilizando um material “garantido”, imagine só o caos interno que enfrenta um comediante quando vai testar piadas novas. E esse, senhoras e senhores, é o tema de hoje.

Escrever e apresentar um novo material é parte constante e também muito importante na vida de qualquer humorista, e cada um procede de um jeito na hora de testar piadocas novas. Alguns estreiam uma piada de cada vez, a fim de montar um set completo ao final de um determinado período. Outros experimentam trechos maiores, de dois, três ou quatro minutos, e há também aqueles que tentam entradas inteiras inéditas, de 10 ou 15 minutos. Na minha ótica, todas essas maneiras de testar piadas têm seus prós e contras, cada comediante segue a que lhe deixa mais confortável. Mas, certamente, há métodos mais seguros que outros.

Testar piadas individualmente, uma a uma, é a maneira mais segura e demorada para conseguir material novo, talvez a mais indicada para open mics. Experimentar bits, de três ou quatro minutos sobre um mesmo tema, creio ser o mais normal entre os humoristas. E, por fim, fazer entradas inteiras novas é o método mais arriscado de criar texto e, que eu saiba, é o menos utilizado atualmente. Particularmente, usei essa ferramenta apenas uma vez e foi bastante ruim. Mas acho que a tentativa valeu a pena e, por que não, possa ser utilizada novamente.

Abrir uma apresentação com piadas novas não é uma boa ideia. Não vou dizer que você nunca deva utilizar piadas estreantes na abertura, porque acredito que o stand-up também deve ser um espaço para experimentação e, caso você sinta-se confiante para tal, é sua conta que está em risco. Mas creio que não há nenhuma vantagem em se abrir com material novo, além de ser uma prática recheada de perigos. A abertura é um dos momentos mais importantes de sua apresentação, e um início capenga vai interferir no bom andamento do show. O problema de abrir com piadas novas é que não se sabe como elas farão o público reagir. E impossível definir qual o nível de risadas que uma piada ou material novo pode alcançar. Claro, sabe-se que alguns temas são mais fáceis de se obter riso, como os velhos “corinthiano(ou quem mora longe)-ladrão”, “são-paulino(ou gaúcho)-gay”, “Preta Gil(Péricles ou Arlindo Cruz)-gorda”, além de estereótipos em geral. Se você está pensando em fazer piadas com essas lógicas diante de uma plateia, faça um favor para todos e nem saia de casa. O mundo não precisa de mais piadas como essas.

E, além da imprevisibilidade do material novo, outro obstáculo que o comediante enfrenta ao abrir com piadas novas é o seu próprio nervosismo. Já há uma tensão normal que envolve o começo da apresentação, assim como há ansiedade quando se testa algo novo. Juntar as duas não me parece inteligente. “Mas Pedro, então qual o momento certo para que eu insira minhas piadas novas”? O melhor é colocar as piadas novas entre duas que funcionem bem. Essa é uma recomendação clássica do stand-up. Dessa maneira, se impede que o rimo do show caia caso o material novo não funcione. Mas acho que vale a pena aprofundar um pouquinho nesse tópico e falar sobre a organização do material dentro de um set. Em 10 ou 15 minutos de apresentação, há tempo de se fazer uma abertura bem caprichada, de três ou quatro minutos, para aí sim introduzir as coisas novas. Digamos que o material estreante tenha três minutos. Ao término dele, serão sete minutos de apresentação, o que deixa tempo suficiente para realizar um bom final e fechar em alta. Eu, particularmente, não gosto de colocar um material novo exatamente no meio da apresentação. Procuro encaixá-lo entre o início e o meio, ou da metade para o final, dependendo da plateia. Diante de um público mais fácil, em que a abertura do show foi o suficiente para fazer com que eles se soltassem, coloco o texto novo antes da metade do show. Já confrontando plateias mais difíceis, que não riem tanto, deixo as piadas novas para a segunda metade da apresentação, deixando mais tempo para preparar o terreno com um material “garantido”. Prefiro esses métodos pois me incomoda que o miolo da apresentação seja o seu ponto fraco. Não sei exatamente o motivo, mas isso me dá uma sensação ruim. Mas, como disse antes, cada comediante tem sua maneira de proceder, não há certo ou errado.

Mas, e no caso de nossos pequenos open mics, como eles testarão piadas novas em seus preciosos 5 minutos? Antes de falar sobre isso, quero aqui ressaltar outra recomendação do stand-up que, apesar de clássica hoje, não tive acesso na minha época de iniciante: mais importante que ficar fazendo piadas novas todo show, é o open mic conseguir construir um set de cinco minutos muito bons, que funcionem em praticamente qualquer situação. Claro que, para chegar a isso, é importante a experimentação de material. Mas, nessa fase da carreira, é necessária uma cautela maior. Quando eu comecei, me preocupava em renovar o texto toda hora, sendo que o antigo nem estava bom ainda, e isso atrasou um pouco a minha evolução.

Como todo open mic tem, no máximo, cinco minutos para ficar no palco, testar um bloco de piadas de três minutos, por exemplo, me parece arriscado. Creio que a melhor tática é usar o conta-gotas, como disse lá no começo do post. Trabalhar 1 minuto por vez me parece um número ideal. “Poxa, mas um minuto é muito pouco”. Um minuto é tempo suficiente para testar três, quatro, quem sabe cinco piadas, o que é bastante coisa. E, lembre-se: 1 minuto corresponde a 20% do tempo da sua apresentação. Não é pouco. Quando esse minuto estiver nivelado com o restante do material (que eu suponho ser um nível bom, que arranque risadas de um certo volume frequentemente), você vai para outro minuto. Lapidando e deixando esse novo minuto na mesma condição dos demais, parte para um novo.

Essa é uma maneira muito segura de renovar o seu material sem deixar de fazer boas apresentações, além do fato de que trabalhar e deixar no ponto 1 minuto de piadas é muito mais fácil que três ou cinco minutos. Eu garanto que, se você for um bom open mic e trabalhar duro, no final de um ano você terá 12 ou 15 minutos bons de texto, o que pode (possibilidade, não garantia) te levar a se apresentar como canja ou convidado em alguns shows ou, no mínimo, significa que você terá três sets diferentes, do mesmo nível, para apresentar como open mic.

Há um tempo eu fiz uma sessão aqui no blog chamada “Testando Piadas“, onde eu mostrava como era a minha construção de um texto novo. Clique aqui para ver esses posts e, quem sabe, eu volte com essa sessão tão legal.

Deixe seu comentário aqui ou no facebook, divulgue para os amigos, compartilhe o link e, principalmente, dê sugestões para posts futuros. Sobre o que você quer ler aqui n’O Nascimento de uma Piada?

Você provavelmente não é tão bom quanto pensa

Lembra o que seu pai ou mãe te falavam quando você era adolescente e não se importava com a escola? “Você precisa estudar! Quem não estuda, não tem futuro!”. Sinto informar, mas eles estavam certos.

Para ser um bom profissional, deve-se estudar e se aprofundar em sua área de atuação, seja você um médico, engenheiro, advogado, professor, comediante. Sim, comediante. Para ser um humorista bem sucedido, você também precisa estudar e trabalhar bastante, bebezão.

“Eu comecei a fazer stand-up porque eu não gostava de trabalhar”. Então pare de fazer stand-up, porque isso é trabalhar. Além de ser uma frase imbecil, que reforça a ideia de que comediante não é profissão, ela também dá a impressão para quem está começando na comédia que, para ser um grande humorista, não é necessário esforço.

Mais ou menos um ano depois que eu comecei a fazer stand-up, o comediante Léo Lins lançou um livro chamado “Notas de um comediante stand-up”, no qual ele dá dicas e direcionamentos para quem está iniciando na comédia, e até mesmo para o pessoal que já está no meio há algum tempo. Esse livro foi escrito a partir de anotações que ele fazia após cada show, analisando suas piadas, seu delivery, as reações da plateia, enfim. Lendo esse livro, no final de 2009, foi a primeira vez que percebi que existia um trabalho por trás de cada piada, uma lapidação do material, que cada texto tinha seu trabalho artesanal. Naquela época, a minha rasa noção de trabalhar o material era a seguinte: se escrevia um texto e fazia no palco. Se não funcionava, joga no lixo. Eu nunca me perguntava: “Por que essa piada não funciona? Será que dá certo se contar de outra maneira, usando outras palavras? O setup está claro o suficiente? Existem palavras desnecessárias no punch?”. Nada.

Mas, depois de ler aquilo, pensei: “Se um cara tão bom quanto o Léo se dedica dessa maneira para melhorar cada vez mais, porque eu, que não sou bom, não faço isso?”. Então, comecei também a estudar minhas apresentações, analisá-las, destrinchar piada por piada para saber o que funcionava e porque funcionava, e o que falhava e porque falhava. Fiz isso de dezembro de 2009 a fevereiro de 2011, não com todos os shows que fiz nesse período, pois minha disciplina pra esse tipo de coisa é terrível. Mas o ponto é: parei de fazer isso e os motivos foram muito simples. Primeiro, eu me achava o fodão e, como tal, não precisava mais estudar minhas piadas nem trabalhar minha postura, delivery, tal e tal. Segundo, tinha preguiça demais para trabalhar desse jeito e assumi o “faço stand-up porque não gosto de trabalhar” way of life.

Fiquei até o começo de 2012 nessa maciota, e não foi nada bom para mim. Até fiz bastantes shows, mas o meu material era apenas um amontoado de coisas que eu fazia apenas para ser engraçado. Nenhuma piada refletia uma opinião ou pensamento, tampouco pretendia passar alguma mensagem. Era uma total perda de tempo, tanto minha quanto da plateia.

Conto isso para que nenhum dos comediantes que está começando agora, ou já faz há 6 meses, 1 ou 3 anos caia na mesma armadilha. Você provavelmente não é tão bom quanto pensa e nunca será tão bom a ponto de se dar ao luxo de parar de aprimorar seu material, de buscar novas alternativas para sua comédia, novas influências, de cuidar das suas piadas.

Se você não quer escrever uma análise aprofundada de cada apresentação que faz, o mínimo que você pode fazer é gravar a sua parte no show. Se for em vídeo, ótimo. Assim você pode examinar, além das reações da plateia, também sua postura no palco e a parte física e visual das piadas. Também existe sempre a possibilidade do show ser ótimo e você ter um belo trecho para colocar no YouTube.

Mas, se você não tiver uma câmera ou algo para filmar, sem problemas. Gravar o áudio das suas apresentações já é um bom começo e tenho certeza que vai te ajudar bastante. Esse é o método, inclusive, que eu utilizo. Provavelmente qualquer celular lançado nos últimos 10 anos tem a função “gravador” nele. Coloque na cadeira que pode estar no palco, no bolso da camisa ou da calça, tanto faz. O importante é ter um registro daquele show para ver como você e suas piadas se comportaram.

Importante! Isso deve ser feito em TODO SHOW. Não importa lugar, cachê ou quantidade de público. Certa vez, dei essa dica a um comediante e, no dia do show, tinha pouca gente no bar. Ele me perguntou: “Não preciso gravar hoje né? Tem pouca gente”. Precisa sim, caralho ambulante. Essa gravação não é para ser mostrada a ninguém, é apenas para que você ouça com calma o que foi feito e, assim, descobrir uma maneira de solucionar seus problemas. E, para isso, não há a necessidade de um bar cheio ou um show foda.
Se você deseja se tornar um comediante, não esqueça: ser open mic é como ser um estagiário. Você está aprendendo. A vergonha não é não saber, e sim não querer aprender. E aproveito aqui para citar uma frase que, inclusive, está logo no início de “Notas de um comediante stand-up”, do Léo Lins:

“O inteligente aprende com os próprios erros. O sábio aprende com o erro dos outros”.