Piloto-automático

Há pouco mais de um ano, comecei uma tarefa que, logo depois, tornou-se um hábito. Religiosamente, eu… Não, espera, não gosto desse termo. “Religiosamente”. Me dá calafrios. Selecionei a palavra e cliquei com o botão direito. “Sinônimos”. nenhum. Mas acho que não importa a expressão, desde que ela expresse que faz mais de ano que gravo todas as minhas apresentações, em áudio. Depois ouço-as, analiso-as e faço um pequeno resumo geral do que aconteceu aquela noite.

Creio que essa é uma maneira muito interessante do comediante conhecer seu próprio material mais a fundo, para conseguir extrair o máximo dele. Quem vive de comédia sabe que meio segundo de atraso ao dizer o punchline pode acabar com a força da piada, assim como centésimos de adiantamento em uma palavra tem o poder de matar o final cômico de uma história. Respirações, pausas, entonações, modulações de voz, tudo isso é tão importante para uma boa apresentação quando o próprio material. Por isso, incentivo todos que são ou pretendem ser comediantes a tornar essa prática um hábito em suas vidas. Hoje em dia, qualquer celular tem gravador de áudio e todo mundo tem um computador. Se você não tem um computador, mas está lendo isso, provavelmente está em um lan house, então aproveite e crie logo um Google Drive que funciona do mesmo jeito. O gravador é para, quem diria, gravar a apresentação e o computador para armazenar áudios de shows e escrever suas considerações sobre a performance. Nada que o bom e velho e surrado e comido pelas traças papel e caneta não dê conta também.

Conselhos dados, vamos ao epicentro do post. Essa semana, fiz um show onde testei algumas piadas novas. Abri com um material “garantido”, que eu faço a todo momento. Não funcionou muito bem. Confesso que fiquei apreensivo. O que será desse material novo se até as piadas velhas sucumbiram à batalha? Foram alguns minutos de pedaladas (fiscais?). Me senti como o Lula Inflável, desinflado. Bom, após o início turbulento, chegou a hora de estrear as pobres piadinhas. E não é que as filhas-da-puta foram muito bem? Que grande surpresa.

Dia seguinte, ao realizar minha habitual análise do show, acabei notando com mais clareza os fatores apontados no parágrafo acima. Minhas piadas “garantidas” capengaram, enquanto as novas explodiram. Será que consegui criar piadas tão boas a ponto de fazer meu material antigo assemelhar-se a chorume? Duvido muito. Mas então, o que diabos aconteceu? Aconteceu que eu entrei no piloto-automático.

Isso é algo bastante corriqueiro, na verdade. Não apenas comigo ou com você, mas com qualquer comediante. Quando o humorista executa o mesmo material muitas vezes, consecutivamente, é normal que esse texto seja dito de uma maneira cada vez mais inconsciente. Você não está mais contando as piadas, e sim apenas repetindo-as, de novo e de novo. E, ao entrar nesse processo de “piloto-automático”, seu material perde força. Quando se conta a piada dessa maneira, ela perde impacto pois o comediante não está 100% dentro dela. Quem explicou isso de uma maneira muito bacana foi a Carol Zoccoli nesse vídeo.

Pode-se notar a brusca diferença em relação ao material novo. Como eram coisas (quase) inéditas, eu não sabia direito como elas fariam o público reagir. Logo, dediquei muito mais atenção a elas, para que funcionassem da melhor maneira. E, provavelmente, foi por isso que elas funcionaram bem, enquanto as antigas não chegaram nem perto disso.

“Mas, como eu faço para não entrar nesse ‘piloto-automático’”? O primeiro passo é prestar atenção no que se está fazendo. Se você está contando uma piada e, ao mesmo tempo, pensando em tentar sair com a moça bonita da primeira mesa, você já está no piloto-automático. Fique na piada, coloque todas as emoções necessárias para ela funcione em sua plenitude. Não apenas cuspa o seu material. Sinta ele e faça com que as pessoas da plateia também o sintam. Porém, como eu disse, é comum que isso aconteça, independente do humorista. Quando você notar que está fazendo isso, deixe um pouco o material em questão de lado. Fique um ou dois meses sem fazê-lo, dê umas férias para o coitado. Aposto que ele voltará tinindo para as próximas apresentações. E se mesmo após boas férias nas Bahamas, ele retornar ainda cansado e sem realizar seu trabalho direito, creio que seja a hora de aposentar esse material.

Gosto de pensar que alguns de vocês notaram que não postei nada semana passada. Bom, isso ocorreu porque estou incrivelmente ocupado e procurando dar prioridMENTIRA. Não teve post porque eu não consegui achar algum tema relevante para escrever sobre. Até comecei dois textos, mas eles estavam uma bosta, acreditem em mim. Então, o que vocês podem fazer para me ajudar a manter esse blog funcionando semanalmente, é mandar sugestões de temas para posts futuros. Quais suas dúvidas sobre o mundo do stand-up, meu jovem open mic? Escreva nos comentários aqui no blog, facebook ou twitter. Ou mesmo me mande uma inbox, caso tenhas vergonha de sua dúvida estúpida.

No mais, o de sempre: compartilhem, mostrem pros amigos e mandem críticas, sugestões e elogios porque preciso me manter motivado.

Sério.

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Como testar material

Todo comediante é um pouco masoquista. Bem, talvez masoquista não seja o termo que procuro. Um humorista não necessariamente deve gostar do sofrimento, mas aprender a lidar com ele a cada minuto em que está no palco. Já ouviu falar que todo atleta de alto rendimento tem de conviver com dores? Então é isso. Um comediante é um atleta de alto rendimento. Eu sou um atleta de alto rendimento. Nos vemos nas Olimpíadas.

Não pensem vocês que esse papo de lidar com sofrimento ou dor tem a ver com depressão, melancolia, ou tristeza (tem também). A angústia a qual me refiro é no trato comediante-plateia. Jerry Seinfeld disse uma vez (provavelmente mais de uma. Meu palpite é 34 vezes) que ninguém é mais julgado, na sociedade civilizada, que um comediante stand-up. E isso é a mais pura verdade. A cada piada que um humorista conta, um julgamento ocorre. Se a plateia ri, o coitado é absolvido. Se o silêncio imperar, ele é condenado. E tal corte marcial do chiste tem seus lados bom e ruim.

A parte ruim é, lógico, a pressão de ser avaliado a cada piada contada. Ter a obrigação de fazer um monte de estranhos rirem após uma historinha que dura 15 ou 20 segundos é, analisando friamente, insano. Isso sem contar o fato de que essa experiência deve ser repetida dezenas e dezenas de vezes em uma apresentação de 10 minutos.

O lado bom, é que cada piada significa uma chance de recomeçar. Você foi condenado após uma piada ruim? Terá a oportunidade de ser absolvido na próxima. Toda piada é um julgamento em separado. Mas isso também, olha só, tem um lado ruim. A parte chata é que, se você contar uma piada muito boa, digna de aplausos e gritinhos, a próxima tem que ser boa também. Essa piada magnífica não serve de nada se as duas seguintes não funcionarem. Você foi absolvido após uma piada boa? Existe a chance de ser condenado na próxima. Toda piada é um julgamento em separado.

E, se todo esse processo parece assustador, mesmo utilizando um material “garantido”, imagine só o caos interno que enfrenta um comediante quando vai testar piadas novas. E esse, senhoras e senhores, é o tema de hoje.

Escrever e apresentar um novo material é parte constante e também muito importante na vida de qualquer humorista, e cada um procede de um jeito na hora de testar piadocas novas. Alguns estreiam uma piada de cada vez, a fim de montar um set completo ao final de um determinado período. Outros experimentam trechos maiores, de dois, três ou quatro minutos, e há também aqueles que tentam entradas inteiras inéditas, de 10 ou 15 minutos. Na minha ótica, todas essas maneiras de testar piadas têm seus prós e contras, cada comediante segue a que lhe deixa mais confortável. Mas, certamente, há métodos mais seguros que outros.

Testar piadas individualmente, uma a uma, é a maneira mais segura e demorada para conseguir material novo, talvez a mais indicada para open mics. Experimentar bits, de três ou quatro minutos sobre um mesmo tema, creio ser o mais normal entre os humoristas. E, por fim, fazer entradas inteiras novas é o método mais arriscado de criar texto e, que eu saiba, é o menos utilizado atualmente. Particularmente, usei essa ferramenta apenas uma vez e foi bastante ruim. Mas acho que a tentativa valeu a pena e, por que não, possa ser utilizada novamente.

Abrir uma apresentação com piadas novas não é uma boa ideia. Não vou dizer que você nunca deva utilizar piadas estreantes na abertura, porque acredito que o stand-up também deve ser um espaço para experimentação e, caso você sinta-se confiante para tal, é sua conta que está em risco. Mas creio que não há nenhuma vantagem em se abrir com material novo, além de ser uma prática recheada de perigos. A abertura é um dos momentos mais importantes de sua apresentação, e um início capenga vai interferir no bom andamento do show. O problema de abrir com piadas novas é que não se sabe como elas farão o público reagir. E impossível definir qual o nível de risadas que uma piada ou material novo pode alcançar. Claro, sabe-se que alguns temas são mais fáceis de se obter riso, como os velhos “corinthiano(ou quem mora longe)-ladrão”, “são-paulino(ou gaúcho)-gay”, “Preta Gil(Péricles ou Arlindo Cruz)-gorda”, além de estereótipos em geral. Se você está pensando em fazer piadas com essas lógicas diante de uma plateia, faça um favor para todos e nem saia de casa. O mundo não precisa de mais piadas como essas.

E, além da imprevisibilidade do material novo, outro obstáculo que o comediante enfrenta ao abrir com piadas novas é o seu próprio nervosismo. Já há uma tensão normal que envolve o começo da apresentação, assim como há ansiedade quando se testa algo novo. Juntar as duas não me parece inteligente. “Mas Pedro, então qual o momento certo para que eu insira minhas piadas novas”? O melhor é colocar as piadas novas entre duas que funcionem bem. Essa é uma recomendação clássica do stand-up. Dessa maneira, se impede que o rimo do show caia caso o material novo não funcione. Mas acho que vale a pena aprofundar um pouquinho nesse tópico e falar sobre a organização do material dentro de um set. Em 10 ou 15 minutos de apresentação, há tempo de se fazer uma abertura bem caprichada, de três ou quatro minutos, para aí sim introduzir as coisas novas. Digamos que o material estreante tenha três minutos. Ao término dele, serão sete minutos de apresentação, o que deixa tempo suficiente para realizar um bom final e fechar em alta. Eu, particularmente, não gosto de colocar um material novo exatamente no meio da apresentação. Procuro encaixá-lo entre o início e o meio, ou da metade para o final, dependendo da plateia. Diante de um público mais fácil, em que a abertura do show foi o suficiente para fazer com que eles se soltassem, coloco o texto novo antes da metade do show. Já confrontando plateias mais difíceis, que não riem tanto, deixo as piadas novas para a segunda metade da apresentação, deixando mais tempo para preparar o terreno com um material “garantido”. Prefiro esses métodos pois me incomoda que o miolo da apresentação seja o seu ponto fraco. Não sei exatamente o motivo, mas isso me dá uma sensação ruim. Mas, como disse antes, cada comediante tem sua maneira de proceder, não há certo ou errado.

Mas, e no caso de nossos pequenos open mics, como eles testarão piadas novas em seus preciosos 5 minutos? Antes de falar sobre isso, quero aqui ressaltar outra recomendação do stand-up que, apesar de clássica hoje, não tive acesso na minha época de iniciante: mais importante que ficar fazendo piadas novas todo show, é o open mic conseguir construir um set de cinco minutos muito bons, que funcionem em praticamente qualquer situação. Claro que, para chegar a isso, é importante a experimentação de material. Mas, nessa fase da carreira, é necessária uma cautela maior. Quando eu comecei, me preocupava em renovar o texto toda hora, sendo que o antigo nem estava bom ainda, e isso atrasou um pouco a minha evolução.

Como todo open mic tem, no máximo, cinco minutos para ficar no palco, testar um bloco de piadas de três minutos, por exemplo, me parece arriscado. Creio que a melhor tática é usar o conta-gotas, como disse lá no começo do post. Trabalhar 1 minuto por vez me parece um número ideal. “Poxa, mas um minuto é muito pouco”. Um minuto é tempo suficiente para testar três, quatro, quem sabe cinco piadas, o que é bastante coisa. E, lembre-se: 1 minuto corresponde a 20% do tempo da sua apresentação. Não é pouco. Quando esse minuto estiver nivelado com o restante do material (que eu suponho ser um nível bom, que arranque risadas de um certo volume frequentemente), você vai para outro minuto. Lapidando e deixando esse novo minuto na mesma condição dos demais, parte para um novo.

Essa é uma maneira muito segura de renovar o seu material sem deixar de fazer boas apresentações, além do fato de que trabalhar e deixar no ponto 1 minuto de piadas é muito mais fácil que três ou cinco minutos. Eu garanto que, se você for um bom open mic e trabalhar duro, no final de um ano você terá 12 ou 15 minutos bons de texto, o que pode (possibilidade, não garantia) te levar a se apresentar como canja ou convidado em alguns shows ou, no mínimo, significa que você terá três sets diferentes, do mesmo nível, para apresentar como open mic.

Há um tempo eu fiz uma sessão aqui no blog chamada “Testando Piadas“, onde eu mostrava como era a minha construção de um texto novo. Clique aqui para ver esses posts e, quem sabe, eu volte com essa sessão tão legal.

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Queria ser Kuririn

Você, comediante ou aspirante, já teve aquela noite em que deu tudo errado em cima do palco? Nenhuma piada funciona direito, o que começa a deixar a plateia meio dispersa. Você já contou suas melhores piadas e conquistou apenas risos tímidos. Já não sabe mais o que fazer para ganhar a atenção do público. Olha, estou suando frio só de imaginar esse cenário.

Acontece que apresentações tenebrosas, como a descrita acima, são parte da vida de um humorista. Mesmo os melhores, um dia ou outro, enfrentam noites de pesadelos. A grande questão é como cada comediante reage diante de dificuldades como essa.

Alguns ficam seriamente abatidos, mesmo sabendo que vão passar por algumas dessas enrascadas ao longo da carreira, outros não se importam e seguem como se nada tivesse acontecido. Eu, em particular, faço parte do primeiro grupo, pelo menos na noite do ocorrido. Bastante chateado, fico remoendo o sabor de bosta daquele show até chegar em casa e dormir. Mas, no dia seguinte, já sou membro integrante do segundo time. Penso: “Aconteceu, ok, não adianta ficar chorando, vamos melhorar pra próxima”. Sinceramente, essa mistura de sentimentos me parece saudável. Ficar abalado por dias e dias pode minar sua confiança e fazer com que um show ruim se transforme em outros péssimos. É aquela velha história de se enterrar em um buraco cada vez mais fundo. Assim como, se mostrar insensível diante de uma ou mais apresentações malfeitas, pode deixar o humorista “cego”. Ter uma sequência de shows tenebrosos e não ligar o sinal de alerta, achando que uma hora a má fase passa, é preocupante. Se você não fizer nada diferente, nunca nada vai mudar.

No meu ponto de vista, shows ruins são tão importantes quanto os bons, desde que você saiba (e queira) aprender o que eles estão dispostos a ensinar. Apresentações excelentes são ótimas para levantar o moral (sim, é bom para o moral), mas uma ruim ou outra serve para tirar o humorista do mundo do faz de conta e jogá-lo novamente na vida real.

Vou contar-lhes uma bela história que aconteceu com um amigo meu. E, quando eu digo “amigo”, quero dizer que ocorreu comigo mesmo. Há uns quatro ou cinco anos atrás, eu estava em uma maré de shows deslumbrantes. Só apresentações incríveis, apenas performances que arrancavam enormes gargalhadas (pelo menos era assim que eu enxergava a situação na época). Eu estava me sentindo o maioral. Ninguém ganhava de mim. Pode vir qualquer plateia em qualquer lugar que eu destruo. Sou o rei da porra toda. Em uma noite de terça-feira, estava eu a caminho de um show, num bar em que eu nunca havia me apresentado e estava há tempos tentando convencer a produção do local a me levar para fazer lá. Durante o trajeto até o lugar, me peguei justamente com esses pensamentos acima. “Sou muito bom. Não tem ninguém melhor que eu”. O show seria com outros dois comediantes. Um abriria, eu entraria em seguida para, aí sim, o último fechar o show. O primeiro comediante subiu no palco e foi um arregaço gigantesco. O cara arrebentou. Como diria Valeska Popozuda, “só tiro, porrada e bomba”. Imediatamente, pensei: “Hoje vai ser épico. Plateia está uma mãe, é só mandar ver e correr para o abraço”. Quando ele terminou, quase ovacionado, fui chamado ao palco. Primeira piada, a de abertura, que sempre explodia: risada fraca. As seguintes, nem isso. Uma risadinha mais forte uns minutos depois e não me lembro de mais nada. Como se minha memória quisesse me poupar do sofrimento. Só recordo que foi um fiasco. Enorme. Quando anunciei o último humorista da noite, meu derradeiro suspiro de esperança se calou. O sujeito arrebentou também, umas risadas impressionantes, daquelas que se misturam com gritos e pequenas palmas. Eu era uma fraude. Subir no palco ao final do show para dar os últimos recados foi doloroso. Eu não queria mais estar ali. Meu desejo era sumir na fumaça ninja. Me esconder em uma caverna no Nepal e me converter ao budismo. Queria ser Kuririn. Fiquei praguejando contra mim mesmo o resto da noite. Me amaldiçoando. Fora abatido como um cavalo que quebra a perna. Aquela conduta deveria ser sacrificada. Como eu poderia me achar um grande humorista depois de uma noite daquelas? Demorei quase um mês para voltar a fazer um bom show. Levei bomba nas apresentações seguintes. E, relembrando essa noite, confesso, me dói um pouquinho. Não recordo com tristeza. Sinto sim, de leve, a agonia passada naquela terça-feira mas, hoje, relembro daquela ocasião como um dos momentos mais importantes da minha carreira. Naquela noite de setembro, a plateia me deu o que eu precisava, não o que eu queria.

O que eu aprendi depois desse direto-no-queixo do destino? Que, em primeiro lugar, você provavelmente não é tão bom quanto pensa. Em segundo lugar, shows bons e ruins acontecem e é mais importante saber tirar proveito deles do que apenas chorar ou se vangloriar. Terceiro, que as apresentações terríveis são aquelas que mais ensinam a gente, e nos preparam para as dificuldades que virão. E, por fim, que sempre terá o próximo show. Cada apresentação é uma oportunidade para o comediante melhorar ou piorar. Aí, só depende de você.

Abre-fecha

Uma dúvida é constante na cabeça de comediantes, novos ou experientes: qual é a melhor piada para abrir? E qual a ideal para encerrar uma apresentação? Existem muitas teorias sobre a escolha mais apropriada. Alguns dizem que o humorista deve abrir o show com sua melhor piada e fechar com a segunda melhor. Outros afirmam que deve-se começar com a segunda melhor, deixando a melhor para o encerramento. Acredito que, por si só, nenhuma das alternativas se sustentam.

Antes de escolher a piada que abre ou fecha uma apresentação simplesmente pela força dela, o comediante deve analisar qual o estilo dessas piadas, o tema que elas abordam e a situação do show. Você estará se apresentando sozinho ou com vários comediantes? Quanto tempo você tem para se apresentar? Em que momento do show você subirá ao palco? Tudo isso deve ser levado em conta.

Particularmente, não acho que piadas muito longas ou com uma temática sexual acentuada sejam boas escolhas para abrir um show, por mais engraçadas que elas sejam. Usar uma piada que leva quase dois minutos para obter uma grande risada, logo no início de uma apresentação de 10 minutos, me parece arriscado. Creio que, no início do seu set, a melhor opção seja utilizar piadas curtas, para ganhar ritmo e embalar a plateia. Isso garante que o público esteja solto já no começo da apresentação, o que facilita o bom andamento do show. Agora, se tratando de um show solo, não vejo maiores problemas em abrir com uma piada um pouco mais longa, já que o comediante terá um tempo maior para imprimir um ritmo adequado ao show, tendo em vista que ele terá mais 60 minutos de espetáculo para tal.

“Mas, já que não posso abrir com aquela minha fabulosa piada sobre os vários tipos de pênis que existem, com o que devo começar”? Em primeiro lugar, não existe isso de “não pode abrir com tal material”. Você é livre para falar sobre o que quiser, no momento que quiser e, sim, ser criticado por isso. Apenas lembre-se que aquelas pessoas, muito provavelmente, não te conhecem e/ou estão vendo você pela primeira ou segunda vez. Imagine você conhecer uma pessoa e suas palavras iniciais para ela serem sobre o quão seu pênis é torto para tal lado. Muito, muito estranho. Creio que aqui, aquela velha máxima de comentar sobre algo evidente em você funciona bem. Se você é um gordo suado, quatro olhos, japa, negão, bicha, pobre ou feio como um rato, falar sobre isso é uma boa maneira de começar o show.

Agora vamos ao final. Como fazer um bom encerramento? Qual piada é a mais apropriada para fechar? Aqui sim, são melhor aceitas as piadas que “refutei” ali em cima. Sexo, palavrões ou piadas longas são melhor apreciadas pelo público no final de uma apresentação. Por quê? Bem, porque no encerramento, o comediante já estabeleceu uma relação com a plateia, eles já se “conhecem”, portanto é permitida uma maior intimidade. “É importante ter piadas fortes no começo para imprimir um ritmo ao show e trazer a plateia para o lado do humorista, ok. Mas, porque é importante fechar com uma grande piada? Afinal, eu já fiz um bom show, não preciso mais provar que sou engraçado”. Da mesma maneira que todos já sabem que você é muito engraçado, eles esperam que você seja ainda mais hilário no final. Quando você está comendo um bolo, a melhor parte não é deixada para o final? Voilà. A expressão “grand finale” não existe à toa.

Encontrar boas piadas de abertura e encerramento não é tarefa fácil para nenhum comediante. Mais difícil ainda é não apegar-se às mesmas a vida inteira. Muitos humoristas passam anos abrindo e fechando seus shows com as mesmas piadas. Já fui vítima desse comodismo, confesso. Um bom humorista não deve ter a piada de abertura e a piada de encerramento, e sim várias que podem ser usadas em diferentes posições em um set list, sem influenciar no resultado final da apresentação. No documentário “I am comic”, Louis CK diz algo que exprime exatamente isso. Nosso careca-ruivo preferido conta que, quando estava construindo o material para seu primeiro especial, ele tinha 40 minutos bons, seguidos de 20 horríveis. Porém, ele não se importava com isso, pois seus cinco minutos finais eram excelentes e, assim, ele conseguia terminar o show em alta. Um belo dia, ele começou a abrir o show com a piada de encerramento e, assim, teria de achar uma nova maneira de fechar bem a apresentação. Então, quando conseguiu escrever uma piada de encerramento tão boa quanto a anterior, ele a jogou novamente para o início e seguiu fazendo isso até eliminar os 20 minutos fedorentos. E, tem algo que ele disse que faz muito, mas muito sentido: “Aqueles 20 minutos não poderiam ser fortes porque eu não precisava que eles fossem”. Isso é uma magistral lição. Um comediante nunca deve se acomodar, deve estar sempre desafiando a si mesmo e, consequentemente, melhorando. E, para que isso aconteça, é necessário correr alguns riscos. Se Louie não tivesse corrido o risco de tirar sua piada de encerramento do final, expondo assim as fraquezas de seu material, ele jamais teria escrito outras ótimas piadas para seu especial.

Você, comediante, open mic, tanto faz, comece a fazer pequenas experiências com seu material, com o propósito de descobrir suas falhas e melhorá-lo. Se existe uma piada com a qual você sempre abre e outra, eternamente utilizada para fechar, tente fazer alguns shows sem uma delas. Procure escrever uma nova piada de abertura, uma outra que possa ser tão forte quanto a de encerramento. Isso pode levar algum tempo, custar-lhe alguns shows ruins, mas se esse é o preço a ser pago para melhorar, eu pago com o maior prazer do mundo.

Este blog é um espaço para o debate sobre comédia. Então, se você concorda, discorda, acha necessário acrescentar alguma coisa em tudo o que foi escrito, tem alguma dúvida ou sugestão para um tema futuro, por favor, deixe seu comentário abaixo, ou então no facebook ou twitter. Caso queira mandar-me uma ameaça mais intimista, pode também enviar um email para pedropontolemos@gmail.com. Se possível, divulgue para seus amigos, familiares ou animais que também gostam de humor e se interessam em discutir o tema. Apenas debatendo é que vamos fazer nossa amada comédia crescer cada vez mais no Brasil.

Até semana que vem.

A Usurpadora

Acredito que nada, absolutamente nada irrita mais um comediante do que um ladrão de piadas. Não há outro tema que consiga unir tantos humoristas em prol de uma mesma causa do que fazer justiça contra um surrupiador de risadas. Um sujeito que copia material é execrado no circuito tal qual um estuprador na cadeia.

“Mas, por que é uma falha tão grave copiar uma piada? Já dizia o velho ditado: ‘Piada não tem dono’”. O que não tem dono é o rabo de quem diz isso. O stand-up tem pouquíssimas regras, e uma delas é claríssima: “Nunca copie material de outro comediante”. Um humorista passa dias, noites, semanas, meses e, até mesmo, anos pensando, escrevendo, testando e lapidando suas piadas, até deixá-las perfeitas. É justo que um arrombadinho as copie para contá-las num barzinho do outro lado do país, sendo que o único trabalho que ele teve foi entrar no YouTube e usurpar o material alheio? Deixe que sua consciência responda.

“É comum comediantes roubarem piadas uns dos outros?”. Não. Digo com sinceridade que, entre humoristas profissionais e consolidados no circuito, a incidência desse tipo de coisa é bem pequena. Justamente porque cada um sabe do sacrifício que é escrever míseros cinco minutos de um bom material. Quando isso ocorre, geralmente quem está envolvido é algum tipo de aventureiro, que não tem qualquer pretensão de construir uma carreira na comédia stand-up ou ter o respeito dos colegas. O sabichão só quer aproveitar a onda para fazer uma graninha.

Os casos mais recorrentes acontecem com iniciantes. O jovem quer começar a fazer stand-up, então ele faz um belo apanhado das melhores piadas que os comediantes postam em vídeos na internet. Eis seu texto. Não preciso nem dizer que, se esse open mic estiver fazendo show com humoristas decentes, ele receberá um esporro, bem de leve, só pra deixar de ser trouxa. “Ai, mas coitado do menino, ele tá começando, não sabia que não podia usar piada dos outros”. Sério? Em pleno 2015? Para o cara saber que o stand-up tem que ser autoral, basta ter internet e boa vontade para pesquisar. Se não sabia é porque é burro, preguiçoso ou porque é safado mesmo. Qualquer indivíduo que se interesse pelo stand-up a ponto de querer subir num palco, tem a obrigação de saber o mínimo sobre aquilo. E o mínimo sobre o stand-up é: “Não conte piadas prontas, tampouco de outros comediantes”. Esse é o mínimo. O mínimo. Mínimo. Nada menos que isso. É muito bom ressaltar que a grande maioria dos open mics que eu já vi (e isso reflete o âmbito geral também) é honesta com a arte e escreve suas próprias piadas.

“E o que eu faço quando algum espertalhão copia minhas piadas?”. Bom, existem vários meios de se resolver esse problema. O mais civilizado deles seria ter uma conversa com o sujeito. Se o tal for apenas burro, o susto fará com que ele pare de usar o seu material. Mas, se o cara for um vagabundo mesmo, que não dá a mínima para o fato de estar roubando, apenas espalhe por aí que ele é um safado ladrão de piadas. Dificilmente o cidadão conseguirá se apresentar nos bons shows da cidade/estado. “Não é errado queimar o cara desse jeito?”. Não mais que copiar material e prosseguir com a prática, mesmo após ser avisado que isso dá merda. Existem outros métodos também. Eu mesmo já vi desde barraco na internet até dedo na cara ao vivo, mas penso que a melhor punição que o gatuno pode receber é ter as portas fechadas e não conseguir mais fazer shows. “Posso processar o féladaputa?”. Até pode, mas acho essa uma dor de cabeça bastante desnecessária.

“Pedro, já aconteceu de roubarem piadas suas?”. Sim. Minha atitude foi conversar com o suspeito, disse que sabia o que ele havia feito e pedi para que ele parasse. O cidadão logicamente negou o ocorrido, mas creio que, depois disso, ele não usou mais as minhas piadas. Que certeza eu tenho disso? Nenhuma. Mas o medo de ser apanhado, penso eu, deve ter inibido sua vontade de contar minhas piadas.

Por mais que lutemos todos juntos, vejo que esse é um problema que jamais encontrará seu fim. Nesse exato momento, algum comedinha pode estar fazendo o texto do Porchat, do Rafinha, do Duncan, meu ou seu, num boteco em algum vilarejo do norte brasileiro, ou em uma temakeria no interior catarinense, ou num puteiro de beira de estrada na divisa entre São Paulo e o Mato Grosso do Sul. Como podemos parar esses caras? Não podemos. O que nós, comediantes, podemos fazer é não incentivar esse comportamento. Copia piada? Não faz o meu show. Rouba material? Então não se apresenta aqui. E, aos open mics que já estão na estrada e aos que futuramente estarão nela: escrevam suas próprias piadas. Não caia na tentação de contar aquela piadoca do seu comediante favorito, só porque o show está ruim. Melhor ser ruim e honesto que bom e trapaceiro. Eu prometo, do fundilho do meu coração, que não há sensação igual a ver uma piada que você talhou, com suas próprias mãos e suor, tirando gargalhadas do público. O stand-up dá tanto para o comediante, acho bastante injusto não retribuir com o mínimo de sinceridade e respeito pela arte.

Pequenas plateias, grandes negócios

Exatamente. Plateias pequenas são, sim, grandes negócios. Obviamente, é muito mais gostoso e divertido para o comediante realizar sua performance perante um público numeroso e ávido por risadas. Mas, é importante que se diga que (quase) nenhum humorista chega a lotar um teatro ou comedy club sem, antes, ter passado por plateias pequenas, para não dizer minúsculas.

Essa é uma fase importante e, no meu ponto de vista, indispensável para qualquer um que queira tornar-se um bom cômico. “Mas, com pouca gente no bar, o show sempre é uma bosta”. Mentira. És um mentiroso e caluniador, caluniador e mentiroso, mentiroso e caluniador, caluniador e mentiroso. Caluniador. Eu mesmo já fiz (e já vi fazerem) shows incríveis com um público que não chegava a dois dígitos. Acredite em mim: o sucesso ou fracasso de uma apresentação está muito mais ligado ao comprometimento do comediante do que com o número de pessoas na plateia.

Se o humorista já subir no palco com a broxante postura de “que bosta, só tem nove pessoas no bar hoje”, o show será sim um martírio. Já presenciei até mesmo iniciantes, nossos queridos open mics, dizendo: “Só tem 10 pessoas no bar hoje. Vamos cancelar?”. Não, não vamos. Guarde consigo essa frase como um conselho: “Comediante que não quer se apresentar com casa vazia, não terá nada a apresentar quando a casa estiver cheia”. Bonito, né? Inventei agora. Mas faz todo o sentido, pode acreditar. Ir bem em um show para 400 pessoas, sinceramente não me impressiona. Mas arrebentar em uma performance para 12, num bar em que a iluminação e o som são precários, cara, você tem o meu respeito.

Não serei hipócrita a ponto de dizer que é supimpa (isso mesmo, SUPIMPA) ficar fazendo apresentações para dez, oito ou quatro pessoas. Mas é um trabalho que precisa ser feito. É uma etapa a ser cumprida. Você não vai sair da fase 1 para chegar à fase 10, sem antes passar pela 2, 3, 4, da água, etc. Desde 2008, quando comecei no stand-up, já fiz dezenas e, quem sabe até, centenas de shows para 20, 15, 10, 8, 5, 3, 2 pessoas. Cheguei a fazer um show para duas pessoas e elas eram minha mãe e meu tio. Vale ressaltar que isso ocorreu em um bar, não na sala da minha casa. Se fosse, certamente teria mais gente.

Mesmo com quase sete anos passados desde então, apresentações com pouco público, volta e meia, acontecem. E deve-se encará-las com profissionalismo. Fazer o seu melhor sempre. Principalmente quando se está em início de carreira. São exatamente nesses shows que você trabalha seu jogo de cintura, sua postura no palco e molda-se como comediante. Um bom humorista deve ser forjado em fogo intenso, ardente, flamejante, e é isso que esses shows são. E aqui cabe um ditado popular que sua vovó Maria dizia: “Aquilo que não nos mata, nos fortalece”.

Cale-se!

O stand-up é uma arte retórica. Deve ser ouvida, mas não respondida. Pensando bem, a plateia deve sim responder ao comediante, mas com risos, não palavras.
Não é incomum alguns membros da plateia ignorarem essa máxima e simplesmente começarem a dialogar com o sujeito em cima do palco. É bom ressaltar que, por vezes, essa intromissão é culpa do próprio humorista. What? Isso mesmo.

Frequentemente ouve-se do primeiro comediante de um show a equivocada, rasa e (na maioria das vezes) desnecessária explicação sobre “o que é o stand-up”. Nela, o humorista vomita frases como “stand-up é uma conversa com a plateia”, “um bate-papo entre amigos” ou então “besteiras que a gente diz na mesa do bar”. Além dos adjetivos que coloquei acima, essas frases dão a permissão para que um espectador desavisado comece e a grasnar. Ué, você não disse que era uma conversa? Então, eles estão conversando contigo.

Sejamos justos, essa não é a única razão para despertar o tagarela desgraçado. E, que surpresa, nem todas elas são más. Não foram poucas as vezes que presenciei (estando no palco ou fora dele) pessoas gostarem tanto de uma piada que começaram a conversar entre si sobre ela. Ou, em casos extremos, alguém grita uma palavra de apoio à ideia do comediante.

Esses episódios são os mais tranquilos de lidar. Geralmente quando isso ocorre, a plateia está afim de assistir ao show e basta que o humorista espere todo mundo se acalmar para prosseguir com a próxima piada. Caso perceba que o burburinho está fugindo de seu controle, ele pode pedir pra galera se acalmar um pouquinho para que o show continue.

Mas, quando essa intromissão do público torna-se desagradável, que diabos eu faço? Bom, se a plateia toda estiver conversando, não há como chamar a atenção de um por um. Não deve-se ignorar a baderna, tampouco mandar todos à bela merda (a não ser que você tenha o apoio do local onde está se apresentando. Caso contrário, há grandes chances de esse ser seu último show na casa). Acredito que, se houver interesse de tentar salvar o show, o comediante deve tentar capturar a atenção da plateia de maneira suave. Falando mais alto ou se calando por completo até que todos percebam que há algo errado. Certa vez, fiz um show no qual todas as pessoas conversavam, exceto quando eu parava de falar. Eu começava, eles também. Eu parava, eles idem. Nesse dia, pensei estar louco. “Será que essas conversas estão só na minha cabeça?”. Nunca saberei.

“Se nada disso funcionar, posso sair do palco o mais rápido possível?”. Depende. Caso apenas a sua parte esteja lamentável, sim. Saia correndo. Mas, se o show inteiro está nesse clima triste, acho vacilo um comediante sair muito antes do tempo preestabelecido. Se todos os outros aguentaram seus 15 minutos em pleno mar revolto, porque você não pode fazer o mesmo? Mas isso não é uma regra, apenas uma opinião.

O mais comum, entretanto, é que o problema esteja concentrado em uma ou duas pessoas, geralmente bastante bêbadas. O famoso heckler, aquele cara que atrapalha o show de todo comediante. Quando o borrachão grita e direção ao palco ou fala alto em sua mesa, a regra número um é ignorar. O bêbado que interrompe quer, mais que tudo, atenção. Seja para “impressionar” a moça que ele trouxe para assistir ao show, seja para ser o engraçadão da mesa dos amigos. Então o melhor a fazer é fingir que ele não existe e, na medida do possível, seguir com o show. Na maioria dos casos, quando ignorado, o cara grita umas duas ou três vezes e desiste de atrapalhar.

Mas quando o sujeito não se acalma, é aí que a porca torce o rabo. Que expressão maravilhosa. Ele grita, xinga e interrompe. “E é nesse momento que eu posso dar um belo esporro no cara, né? Diz que sim, por favor”. Se acalma. Antes de fazer seu roast particular com o cidadão, perceba como está a reação geral da plateia em relação a ele. Talvez mais ninguém esteja escutando o cara falar, e uma bronca nessas condições pode fazer com que o público vire-se contra você.

O ideal é que se ignore o bêbado até o ponto em que todas as outras pessoas também estejam incomodadas com o cara. Quando a situação chega nesse estágio, o humorista tem uma “permissão geral” para calar a boca do falador. Importante! A sua intervenção deve ser o mais rápida e eficaz possível. Não despeje uma tonelada de insultos raivosos e, pelo amor de jesuis, não fique batendo boca com o sujeito. A última coisa que as pessoas querem ver em um show de humor é um comediante debatendo com um bêbado que não é capaz de formular qualquer tipo de pensamento ou argumentação coerente. Repito: seja breve e eficaz. Isso sendo feito com destreza, não só cala o embriagado como também traz a plateia para o lado do humorista e garante um resto de show com uma energia muito boa. Eles estão gratos por você ter restabelecido a harmonia do espetáculo, tal como um dos Vingadores. O Homem-Piada. Melhor não.

Na verdade, o ideal meeeesmo é que, quando o bêbado começa a atrapalhar, algum segurança ou mesmo o gerente do bar vá até o sujeito e o convide a se retirar. E não pensem vocês que isso é uma atitude hostil da casa. Isso deve ser feito para preservar o espetáculo para todas as outras pessoas.

Se você chegou até esse último parágrafo, é porque você curte stand-up (ou então só pulou para cá de gaiato. Sai daqui, vai ler tudo, SAI VAGABUNDO), então deixe sua crítica, elogio ou sugestão para um tema futuro aí na caixa de comentários. Pode também dar a sua opinião sobre o que foi escrito aqui, estamos abertos sempre ao debate. Fique à vontade também para me mandar um email no pedropontolemos@gmail.com ou então um inbox no facebook, é só procurar por “Pedro Lemos”.

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