Piadas sujas

Talvez o nome utilizado no título já tenha um cunho preconceituoso. Não era minha intenção, juro. Mas é o termo que, na minha cabeça, mais se adequa ao tema deste post.

Piadas podem ser sujas de diversas maneiras. Escatológicas, sexuais, recheadas de palavrões, escolha a sua preferida e divirta-se. Mas atenção! Uma piada “suja” não, necessariamente, é pior que uma “limpa”.

Sou um dos comediantes que defendem a seguinte ideia: “Não importa sobre o quê você fala, e sim a maneira como você fala”. Se palavrões e grosserias se encaixam na persona do humorista, parecendo autêntico para o público, provavelmente eles vão rir. Um exemplo disso era o comediante Márcio Ribeiro (faleceu em maio de 2013. Aqui uma homenagem a ele), que falava coisas bem baixas, mas ele era hilário pela maneira e naturalidade com que contava as piadas. O mesmo material, nas mãos de outro humorista, provavelmente soaria absurdo e, por vezes, bastante nojento.

O problema com esse tipo de piada começa quando o palavrão/escatologia/sexualidade explícita torna-se gratuitos. De graça até injeção na testa, certo? Errado. Nesse caso, um caminhão de besteiras sem qualquer sentido pode tornar o show bastante desagradável. É comum que isso aconteça, principalmente, com comediantes em início de carreira e que ainda estão inseguros sobre como arrancar risadas. O que exige menos preparo e informação? Fazer piada sobre tipos de cocô ou sobre política internacional? Opção 1. Logo, é comum que humoristas menos preparados (ou mais preguiçosos) sigam o caminho fácil.

“Mas se eu fizer uma piada sobre política internacional, ninguém vai entender nada! O público desse bar/teatro/cidade gosta de putaria”. Talvez eles gostem porque nunca lhes foi apresentado outro tipo de piada. Ou realmente eles gostem apenas de piadas de cunho sexual e sobre autodepreciação. Isso pode acontecer. Por isso, acho importante que o humorista tenha alternativas para lidar com todo tipo de público. E isso significa ter piadas dos mais variados temas.

Confesso que eu era bastante radical sobre esse assunto. Nunca gostei muito de fazer piadas “sujas” (perceberam que comecei a usar aspas? Esse termo não cai muito bem), mas simplesmente existem plateias que precisam ouvir um “puta que o pariu” ou então “depois disso eu meti nela” pra te dar atenção.

Tipos de plateia? Talvez seja um bom tema para outro post.

Mas antes, existe um documentário chamado “The Aristocrats” que encaixa bem no assunto colocado hoje. Eu achei incrível. Assistam e depois comentem aí embaixo, pode ser?

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